31 de dezembro de 2019

Último dia de um ano qualquer

Edward de Gale
Eis a chuva do último dia.
Levados são todos os outros
neste ar de chuva,
mais que o sol, dissipador de imagens.
Mas quem é que tange as cordas de um instrumento
delicadamente desafinado,
sobressaltando objetos sobre a mesa
e a madeira polida?
Há uma nota imprevista: leve pisar de outrora.

A chuva cessa. O ano findou
com seu vestido sóbrio, quase elegante.

Dora Ferreira da Silva (1918-2006)

30 de dezembro de 2019

Soneto

Barbara Olga Biglieri
Com os belos olhos teus vejo a luz clara
que com os meus, cegos, já não posso olhar;
com teus pés posso um peso carregar,
o que pra mim, manco, é coisa rara.
Com tuas asas pra sempre eu voara;
com teu engenho ao céu posso chegar;
fazes-me empalidecer ou corar,
gelado ao sol, na neve, um Saara.
O teu querer é só o querer meu,
meu sentimento nasce no teu peito,
no teu alento a minha voz busquei.
Como lua solitária sou eu,
que no céu não se pode ver direito
a não ser que reflita o astro-rei.

Michelangelo Buonarroti (1475-1564)
Tradução: Jorge Pontual

29 de dezembro de 2019

Caindo no sono

photograph by Kaye Menner
Pingos de chuva no teto de zinco.
O que eles dizem?
Nós todos já
Estivemos aqui.

Wendell Berry
Tradução: André Caramuru Aubert

28 de dezembro de 2019

A Urânia

para I.K.
Giuseppe Mazzei - Urania
Tudo tem limite, inclusive a mágoa.
O olhar esbarra na vidraça como a folha na grade.
Podes engolir em seco. Agitar tuas chaves.
A solidão é o homem ao quadrado.
O dromedário franze o cenho ao farejar os trilhos.
O vazio se estende como uma perspectiva infinita.
E afinal o que é o espaço, senão
a ausência de um corpo a cada ponto dado?
Por isso é que Urânia é mais velha que Clio.
De dia, ou à luz de sebosos candeeiros,
veja: ela nada oculta
e, se olhares fixo para o globo, é a sua nuca que verás.
Ei-los, os bosques carregados de mirtilos,
os rios, onde se pode pescar esturjões com a mão,
e as cidades cujos catálogos telefônicos
já não te incluem. Mais para o sul,
melhor dizendo, para sudeste, erguem-se as escuras montanhas,
éguas selvagens correm entre as bétulas
e os rostos amarelecem. Mais adiante, singram os cruzadores
e a amplidão fica azul clarinho como roupa de baixo rendada.

- Joseph Brodsky (1940-1996)
Tradução: [Lauro Machado Coelho]

27 de dezembro de 2019

O retiro do mágico

René Magritte - La robe du soi
De mediana altura
(que eu vi) fosco mas lá dentro luz
tal pedra da lua
enquanto fulgia um halo
de frecha de um estore
e um brilho azul do lampião
junto à porta de entrada.
Não dava razão de queixa,
nada mais para obter,
consumadamente chão.

Um maciço de árvores negras por trás
quase tocando as caleiras
com a nitidez de Magritte,
era sobretudo discreto.

Marianne Moore (1887-1972)
Tradução: Margarida Vale de Gato

26 de dezembro de 2019

Natal

Lucia de Lima
“Natal é ver os magos, não reis, que trazem a cultura, a sabedoria, a fascinação do oriente geográfico e do oriente interno de cada um; é ver a riqueza e variedade da terra, a multiplicação compulsória dos pães e dos peixes, a re-unificação da família humana numa assembleia universal, o prazer das futuras viagens, o cérebro eletrônico, a subida aos espaços interestelares; é ver a invisibilidade de Deus, que escapa à televisão.”
Murilo Mendes (1901-1975)

25 de dezembro de 2019

O Espírito do Natal

Mariotto Albertinelli
Ano após ano em dezembro a
árvore artificial
deixa o encerro da cave para ser
uma luz no frio. É um pinheiro da China. Quem
se deitar a fazer contas ao ágio
dessoutro negócio
(vinte e quatro mil escudos:
já lá vão nove invernos) a
coisa
está mais ou menos por
dois contos e tal
o Natal. Mau grado à sua copa
(inerte e inodora) falte o
olor a caruma dos natais da minha infância
nela escudo a floresta que ficou por abater
todo um mundo aloplástico que me
sobreviverá.

João Luís Barreto Guimarães

24 de dezembro de 2019

Soneto de Natal

Aldemir Martins
É Natal. Foram tantos os Natais…
Pois que é Natal mais uma vez, apreende
esse cântico longo que se estende
por terras, mares, não termina mais.

Natal mais uma vez. Uma vez mais,
o menino que só a estrela entende,
os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende
a certeza das coisas abissais.

Pois que é Natal, pensemos no menino,
apenas no menino. E o contemplemos
no berço onde ora está, tão pequenino.

Já quanto aos pais, a meditar deixemos.
Sabem os pais qual a hora do destino.
Fingindo não saber, sonhando olhemos.

Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)

23 de dezembro de 2019

Revisitado

Paul Gauguin
Quem disse que o Natal é só mercado?
Por trás do panetone ou da castanha
está um publicitário, uma campanha,
o lucro, as estatísticas, o Estado.

É certo. Mas o espírito arraigado
mais dura que o presente que se ganha,
mais lembra que um peru, que uma champanha
a alguém com mais futuro que passado.

Pois ela, a criancinha, é quem segura
o tempo, em seu efêmero momento,
salvando algo de júbilo ou ternura.

Esqueça-se o comércio! Ainda tento
rever cada Natal, cada gravura
em meio a tanto adulto rabugento...

Glauco Mattoso

22 de dezembro de 2019

Último Natal

Rosina Becker do Valle
Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,

Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.

Miguel Torga (1907-1995)

21 de dezembro de 2019

Os deslembrados

Franz von Felbinger
Eles vivem e morrem por aí –
Numa estrangeira viela
A vida com violência os atropela
E se põe a fugir.
Viveram e morreram e lutaram duro
E criaram suas crianças
E aí na mais distante deslembrança
Terminam seu percurso.

⇝ Bertolt Brecht (1898-1956)
Tradução: [André Vallias]

19 de dezembro de 2019

Ao passado

Hermann Seeger
Em cada microssegundo do presente, você está aqui
Não parece legítimo que você esteja
Mas legitimidade não é um julgamento que você faria
E por detrás de mim você começa a agitar
Uma capa ou uma manta e se eu paro e corro lá para o carro
Não faz diferença, você ainda está lá.
Dirigindo através de você, eu penso, o que pode desfazê-lo?
Em todas as festas para você, todo o mundo está sempre morrendo.
Tão logo a gente vá dormir você come a nossa comida
E fuma os nossos cigarros, e então, se fazendo de indolente,
Nos acorda e diz, “Aproveite, este é o seu dia. Eu vou dar uma parada,
Um descanso de dia inteiro.” Mas você está mentindo.
Você não pode evitar, nem nós podemos.
Juntos, poderoso passado, nós dominamos as coisas.

Kenneth Koch (1925-2002)
Tradução: André Caramuru Aubert

18 de dezembro de 2019

Unesp 2020 segunda fase

A partir da Constituição de 1888, diante da frustração com relação às perspectivas de realização de ampla reforma agrária, uma das mudanças verificáveis nos conflitos em torno do controle territorial tem sido a busca de acionamento cada vez mais intensa, de dispositivos legais que correspondam à garantia de realização de interesses de grupos sociais atingidos por iniciativas governamentais ou privadas. Na busca da manutenção do acesso e controle sobre territórios e recursos naturais, vários grupos sociais têm procurado identificar, na legislação brasileira, instrumentos que lhes facultem a permanência na terra.
Horácio A. Santana Júnior. “Projetos
e desenvolvimento e a criação de reservas extrativistas”.

a) Cite dois grupos sociais da Amazônia que lutam pelos seus direitos de permanecia na terra.
As comunidades indígenas, ribeirinhas e extrativistas.
b) Apresente dois motivos que justificam a permanecia desses grupos sociais na terra.
A subsistência das comunidades tradicionais da Amazônia, como indígenas, ribeirinhas e extrativistas está associada à exploração dos recursos naturais da floresta, assim como rituais, crenças, costumes e diversos valores culturais que dependem do meio ambiente conservado e da permanência em suas terras, sendo este um direito inalienável e fundamental para a manutenção dos povos nativos do Brasil.

17 de dezembro de 2019

Lá fora, a noite

Joanne Wells
É quando a família dorme
- inertes as mãos nas dobras dos lençóis
pesados os corpos sob a viva mortalha -
que a mulher se exerce.
Na casa quieta
onde ninguém lhe cobra
ninguém lhe exige
ninguém lhe pede
nada
caminha enfim rainha
nos cômodos vazios
demora-se no escuro.
E descalços os pés
aberta a blusa
pode entregar-se
plácida
ao silêncio.

Marina Colasanti

16 de dezembro de 2019

Tristeza no Céu

Paul Bond
No céu também há uma hora melancólica
Hora difícil, em que a dúvida penetra as almas
Por que fiz o mundo? Deus se pergunta
e se responde: Não sei.

Os anjos olham-no com reprovação
e plumas caem.

Todas as hipóteses: a graça, a eternidade, o amor,
caem, são plumas.

Outra pluma, o céu se desfaz.
Tão manso, nenhum fragor denuncia
o momento entre tudo e nada,
ou seja, a tristeza de Deus.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

15 de dezembro de 2019

Os ombros suportam o mundo

Eduard von Grützner

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

14 de dezembro de 2019

Felicidade

Mila Marquis illustration
Um lugar em que não se deve atrever a entrar
com a esperança de ficar,
areia movediça nos pântanos, e todas

as estradas que levam a um castelo
aquela estrada que não existe.
Mas, aqui está, como prometido,

com sua ponte perfeita sobre
os crocodilos,
e suas portas para sempre abertas.

Stephen Dunn
Tradução: Wagner Miranda

13 de dezembro de 2019

O tempo nos parques

Melly Terpening
O tempo nos parques é íntimo, inadiável, imparticipante,
imarcescível.
Medita nas altas frondes, na última palma da palmeira
Na grande pedra intacta, o tempo nos parques.
O tempo nos parques cisma no olhar cego dos lagos
Dorme nas furnas, isola-se nos quiosques
Oculta-se no torso muscular dos fícus, o tempo nos parques.
O tempo nos parques gera o silêncio do piar dos pássaros
Do passar dos passos, da cor que se move ao longe.
É alto, antigo, presciente o tempo nos parques
É incorruptível; o prenúncio de uma aragem
A agonia de uma folha, o abrir-se de uma flor
Deixam um frêmito no espaço do tempo nos parques.
O tempo nos parques envolve de redomas invisíveis
Os que se amam; eterniza os anseios, petrifica
Os gestos, anestesia os sonhos, o tempo nos parques.
Nos homens dormentes, nas pontes que fogem, na franja
Dos chorões, na cúpula azul o tempo perdura
Nos parques; e a pequenina cutia surpreende
A imobilidade anterior desse tempo no mundo
Porque imóvel, elementar, autêntico, profundo
É o tempo nos parques.

Vinícius de Moraes (1913-1980)

12 de dezembro de 2019

A Odisseia

A Odisseia choca-se com a questão do passado. Para perscrutar o futuro e o passado, recorre-se geralmente ao adivinho. Inspirado pela musa, o adivinho vê o antes e o além: circula entre os deuses e entre os homens, não todos os homens, mas os heróis, preferencialmente mortos gloriosamente em combate. Ao celebrar aqueles que passaram, ele forja o passado, mas um passado sem duração, acabado.
(François Hartog. Regimes de historicidade:
presentismo e experiências do tempo, 2015. Adaptado.)

O texto afirma que a obra de Homero: identifica uma forma do pensamento mítico e uma visão de passado estranha à ideia de diálogo entre temporalidades, que caracteriza a história.

11 de dezembro de 2019

Riqueza

Jean Tinguely

Por parques e praças,
Ruas e travessas
Tu, meu olhar, caças
A vida. E tropeças.

Uma gargalhada
Vem dum par contente.
Guarda-a bem guardada,
Mas caminha em frente.

Surgem-te sorrisos
Dum lado e de outro lado,
Não faças juízos
Rápidos. Cuidado!

Uma face grave
Nada de revela?
Talvez a dor cave
Só mais tarde, nela.

Num choro, num grito,
Pressentes a dor?
E quedas, aflito.
Segue, por favor.

Segue, bem aberto
Para cada canto!
Olha o desconcerto
Que parece tanto!

Corre, olhar, em roda!
O que te intimida?
A vida? Só toda
Pode amar-se, a vida.

Alberto de Serpa (1906-1992)

10 de dezembro de 2019

Não há guarda-chuva ...

Marc Taylor

Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.
Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.
Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.
Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.
Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

9 de dezembro de 2019

Um amor de dois perfumes

Picasso
Cantando junto dum lago,
Macio como o seu olhar,
Que se não evaporava
Só para ouvi-la cantar,
A branca visão serena,
Tão leve como a neblina,
Tinha a voz húmida e pura
Como a da luz matutina.
Se ao lírio Deus desse o canto
E desse voz à estrela,
Nunca, a estrela ou o lírio,
Cantariam como ela.
Encantada, que encantava
Fora das humanas normas,
Era uma luz cinzelada,
Ou um aroma com formas.
A seus pés, o manso lago
Desfalecia em desejos,
Com a água arrepiada
De carícias e de beijos.
Um trovador, que os seus olhos
Conseguiram enlear,
Um trovador que ela amava,
Certo dia a quis beijar;
Da visão se evaporaram
As formas tão olorosas,
Deixando toldado o Ar
Com um perfume de rosas.
— Não me beijes que te encantas —
Longínqua voz murmurou
Alá não quer que me beijem;
Inda ninguém me beijou… —
Junto ao lago adormecida,
Achou-a o trovador,
Numa noite em que as estrelas
Andavam tontas de amor.
O lago enrolava as ondas,
Para ver se a alcançava,
E, ao cimo dessas ondas,
Beijos de prata mandava.
O trovador, de joelhos,
Tremendo de comoção,
No peito ouvia ruflar
As asas do coração.
Ia, afinal, dar-lhe um beijo,
Tê-la, afinal, entre os braços;
Com ciúme e raiva, os astros
Rugiam pelos espaços.
Poisou o beijo infinito
Na boca fresca e mimosa,
Como uma asa de luz
Que poisa sobre uma rosa.
Realizou-se o que, Alá,
Já havia anunciado:
Beijou-a, evaporou-se,
Ficou também encantado…
Dois perfumes que voaram
Nessa noite alva e serena…
Por não tornar mais a vê-la,
Finou-se o lago de pena.
Erram, talvez, pelo Céu,
Entre os astros e as procelas,
Espalhando com os beijos
Novos enxames de estrelas;
Ou quem sabe, se na terra,
Prendeu Alá, esse amor,
E se vivem hoje os dois
No cálix dalguma flor!

João Lúcio (1880-1918)

8 de dezembro de 2019

FUVEST 2020 - 1ª fase

O Twitter é uma das redes sociais mais importantes no Brasil e no mundo. (...) Um estudo identificou que as fake news são 70% mais propensas a serem retweetadas do que fatos verdadeiros. (...) Outra conclusão importante do trabalho diz respeito aos famosos bots: ao contrário do que muitos pensam esses robôs não são os grandes responsáveis por disseminar notícias falsas. Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações mentirosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.
Super Interessante, “No Twitter, fake news se espalham
6 vezes mais rápido que notícias verdadeiras”. Maio/2019.
No período “Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações mentirosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.”, os dois‐pontos são utilizados para introduzir uma:
conclusão.
concessão.
explicação.
contradição.
condição.

7 de dezembro de 2019

Uma certeza

Pierre-Auguste Renoir
Você nunca estará só, pois ouve tão profundamente
um som ressoar com a chegada do outono. Brisas em tons
de amarelo sopram por colinas e cadilhos,
ou no silêncio que segue o trovão, antes que ele profira
seus nomes – e, em seguida, desculpas proferidas pelas bocas largas
das nuvens. Você foi predestinado:
você nunca estará só. A chuva
cairá, uma calçada pavimentada, uma Amazona,
longos corredores – você nunca ouviu um som tão profundamente
musgo sobre rocha, anos que se passaram. Você olha para trás
e descobre o que o silêncio lhe dizia: você não está só.
O vasto mundo rui por inteiro.

William Stafford (1914-1993)
Tradução: Wagner Miranda