16 de setembro de 2018

O silêncio, o desejo, e o prazer

Lucas Cranach, o Velho

O abraço silencioso
Tiremos, ó graciosa, as nossas vestes e,
aproximando-nos, nus,
que os nossos corpos se enlacem.
Que nada exista entre nós, pois as tuas finas roupas
me parecem as muralhas de Semíramis.
Unamos os nossos peitos e os nossos lábios. Que tudo o mais
seja coberto pelo silêncio. Odeio a tagarelice.

O segredo
Ocultemos, Ródope, os nossos beijos
e os agradáveis e difíceis trabalhos de Cípris*.
É bom estar oculto e evitar o olhar
dos observadores que tudo perscrutam.
Os amores furtivos são mais saborosos
que os do conhecimento público.

Paulo Silenciário ↠ poeta do século VI
da corte do imperador Justiniano (527–565)
Traduções: Albano Martins

* trabalhos de Cípris: trabalhos do amor

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