31 de julho de 2018

Julho

Lisa Ballard
Fulge o azul, fumega o chão,
Mexe a codorna no trigo,
Sob o “spleen” – bronco inimigo –
Devoro a minha aflição.

Geme inerte a natureza
No implacável Thermidor;
Mais se aguça o meu rancor
Na saudade e na tristeza.

Coração – antes morrer,
Já que não podes, ao menos,
Vomitar os teus venenos,
Nem teus sonhos esquecer.

Formoso dia insolente!
Coração, estoura, enfim!
E que eu inundado, assim,
No teu sangue rubro e quente,

Como o apóstata da Cruz,
Em torva blasfêmia exangue,
Lance, às mãos cheias, meu sangue
As ironias da luz!

François Coppée (‎1842-1908)‎
Tradução: Raimundo Correia e Valentim ‎‎Magalhães

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