24 de julho de 2018

Internadas

Gustave Courbet
Quinze anos uma, a outra uns dezesseis,
Num só quarto dormiam lado a lado.
Era em Setembro, à noite, um ar pesado.
Cor de morango, olhos azuis, tão frágeis.
Despem, como quem livre se deseja,
A veste fina, d’âmbar perfumada.
Ergue a mais nova os braços, arqueada,
Enquanto, mãos nos seios, a irmã a beija.
De joelhos já cai, e assim treslouca,
Cola o rosto ao ventre, e sequiosa a boca
Afunda no que é sombra e incandescência;
E a menina recenseia o que sente
Pelos débeis dedos, um valsar fremente,
E rosada sorri com inocência. ?

Paul Verlaine (1844-1896)
Tradução: Luiza Neto Jorge

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