domingo, abril 11, 2010

Os amores de Maiakowski

Ossip Brik - Lilia Brik - Maiakowski
Maiakowski teve três mulheres em sua vida: Lilia Brik, Veronika (Nora) Polônskaia e Tatiana Iácovlieva. Quis casar com Tatiana, uma russa branca, mas não o fez. Também quis casar com Nora, mas ela não aceitou. Viveu com Lilia e com o marido dela, caso que estarreceu a sociedade e que foi batizado, ocidentalmente, de ménage à trois e, pela própria Lilia, de "uma ideologia amorosa", fundamentada no livro de Tchernichévski - Que fazer? - que pregava a não possessividade entre marido e mulher.
O caso teria acontecido mais ou menos assim, como narrado no livro I LOVE, the story of Vladimir Maikaovski and Lilia Brik, de autoria dos norte-americanos Ann e Samuel Carters, que passaram sete anos na Rússia bisbilhotando tudo a respeito desse outro lado da vida do poeta: Lilia era casada com Ossip Brik, crítico literário, e ambos vieram a conhecer Maiakovski quando este procurava um quarto para alugar. Passando a morar com o casal, os três tornaram-se muito amigos. Lilia e Maiakovski apaixonaram-se um pelo outro. Contaram a Ossip, que não viu motivos para deixar a casa. E continuaram a viver os três sob o mesmo teto.
Lilia foi "a mulher" na vida de Maiakovski, aquela para quem ele ofereceu poemas, aquela que recebeu o que viria a ser conhecido como "poema concreto": um anel, gravado com as iniciais de seu nome - L - I - UB - que, ordenadas de forma circular, formavam a palavra LIUBLIU (AMO).
“Maiakovski, o poeta da revolução”, de autoria de Aleksandr Mikhailov e tradução de Zoia Prestes, é uma obra impressionante. Imperdível. Que nos faz pensar com profundidade nos ideais humanos e na árdua batalha para colocá-los em prática, sem abdicar de si mesmo.

Lilia Brik e Maiakowski
Leiam o livro. Vão entender, sem dúvida alguma, por que Maiakovski se matou, no dia 14 de abril de 1930, às 10h15 da manhã, com um tiro certeiro no coração. Estava com 37 anos.
Helen Patricia Jones Thompson
Alguém saberia dizer quem é esta simpática senhora da foto? Pois ela é nada mais nada menos do que a filha americana do poeta Maiakovski. A única filha. Seu nome é Helen Patricia Jones Thompson, filha do poeta russo com a emigrada russa Ellie Jones. Maiakovski conheceu Ellie por ocasião de uma palestra que proferiu em Nova York em 1925. Apresentados por David Birliuk, famoso pintor cubista amigo de Maiakovski e da família de Ellie, os dois tiveram um romance-relâmpago e a filha nasceria um ano depois, quando o poeta já havia retornado para a Rússia e para os braços de Lília Brik, sua eterna paixão. Ellie Jones depois se casou e a filha foi criada pelo padrasto, daí o sobrenome Thompson. Durante décadas a existência dessa filha foi mantida em segredo pela mãe e o próprio Maiacovski, que temia uma aproximação de Lília Brik, sua amante, editora e suposta agente da NKVD (futura KGB). Patricia cresceu sabendo que era filha do poeta mas não podia comentar com ninguém, tornou-se professora de filosofia numa universidade nova-iorquina, publicou vários livros e só em 1991, poucos anos após a morte da mãe e do padrasto, foi à Rússia revelar a sua identidade. Lília Brik, apesar de tudo, sabia da existência da menina mas fez o possível para apagar as evidências disso: após o suicídio do poeta em 1930, jogou fora a única foto que ele tinha da filha, aos 3 anos, e que mantinha em sua escrivaninha. Lília Brik foi a única herdeira do legado de Maiakovski, tomou posse dos direitos autorais e dos quadros de pintores famosos que o poeta ganhara de presente durante a vida, seus únicos bens, pois Maiakovski sempre viveu na penúria. A mãe e as irmãs do poeta ficaram a ver navios. Patricia Thompson, que tem um filho chamado Rodger, não reivindica o legado de Maiakovski e não acredita que o pai tenha se suicidado. A morte do poeta na verdade se deu em circunstâncias ainda abertas a muita especulação. Hoje Patricia Thompson também se chama Yelena Vladimirovna Maiakovskaia (em russo).
Em julho de 1972, Lilia Brik concedeu entrevista a Boris Schnaiderman (ucraniano radicado desde a infância no Brasil), em sua residência perto de Moscou. Lilia garante que não tinha mais nada com Ossip Brik quando começou relacionar-se com Maiakovski. Quando desta visita de Boris, Lilia já estava casada há quarenta anos com V.A. Katanian, também amigo de Maiakovski, e ambos sempre se dedicaram a estudar e divulgar a obra do poeta. Em 1978, aos 86 anos, Lilia suicidou-se.

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