20 de março de 2010

Congresso Internacional do Medo

Raffaelo Sorbi
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Um comentário:

Anônimo disse...

oie maria td bem?espero que sim.
o medo?aí o medo,ele nos destrói,ele faz com que mudemos os rumos de nossos caminho,o medo quer que eu desista e corra porém eu não corro prefitro voltar e viver sem medo é claro.
bjussssss e tudo de bom mais uma vez parabéns por este blog inspirador.