26 de abril de 2009

Meu frágil coração, para que adoras,
Para que adoras, se não tens ventura?
Se uns olhos, de quem ardes na luz pura,
Folgando estão das lágrimas que choras?
Os dias vês fugir, voar as horas,
Sem achar neles a menor ternura;
E inda a louca esperança te figura
O premio dos martírios que devoras!
Desfaz as trevas dum funesto engano,
Que não hás de vencer a inimizade
De um gênio contra ti sempre tirano.
A justa, a sacrossanta divindade
Não força, não violenta o peito humano,
E queres constranger-lhe a liberdade?!

Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)

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