30 de novembro de 2008

[…] Sem dúvida alguma, o amor se assemelha à amizade: poderíamos dizer que é uma amizade tomada pela loucura. Ora, amamos pela sedução do ganho? Por ambição? Por desejo de glória? O amor basta a si mesmo e não se ocupa de nenhuma outra coisa. É assim que ele inflama as almas do desejo da beleza, movido pela esperança de uma afeição recíproca. Como aceitar que de um princípio mais nobre nasça um sentimento vil? "Não se trata, tu me dirás, de saber se a amizade deve ser procurada por si mesma ou por outra razão." Muito pelo contrário, é este o ponto que precisamos estabelecer antes de mais nada: se é por si mesma que ela deve ser procurada, o homem que encontra em si a sua a sua satisfação pode tender à amizade.”E como, então?"
Como tendemos para a coisa mais bela, sem preo¬cupação com lucros, nem medo diante dos rever¬sos da fortuna. Tiramos a grandeza da amizade, quando nela vemos um meio de ganhar alguma coisa.[…]
A mesma suavidade natural que encontramos em alguns momentos nos leva a procurar a amizade e a companhia do outro. O homem detesta a solidão e por natureza vai em direção ao próximo; nele também há um impulso que o leva a procurar a amizade.[…]
Sêneca (4 a.C - 65 d.C), em Cartas a Lucílio

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