29 de agosto de 2008

Samsara

► Samsara (2001)
► Direção: Nalin Pan
► Origem: França/Índia/Itália
► Gênero: Drama
► Duração: 145 minutos
Sobre o Filme:
Tashi é um jovem monge tibetano que, após passar três anos em reclusão meditando, é resgatado por seus companheiros, que o ajudam a retornar ao monastério. No caminho, ele vê escrito em uma pedra
“Como impedir que uma gota d'água desapareça ao sol ?” De volta à vida religiosa, Tashi se vê preso a desejos que deveria ter transcendido nos 3 anos de meditação, entre eles:
1. Luxúria (pecado: sexo). Ele passa a ter sonhos eróticos e poluções noturnas que não consegue esconder de seus companheiros... Os desejos por uma existência mundana o atormentam tanto, que ele decide deixar o templo, e ir viver na cidade, para trabalhar, se casar e constituir família. Numa das peregrinações dos monges, Tashi conhece Pema, uma jovem que demonstra interesse por ele. Ao deixar o mosteiro, vai trabalhar na fazenda do pai de Pema. Ela lhe pede desculpas por tê-lo feito abandonar a vida monástica, mas ele diz que fez isso por si mesmo. Casam-se e têm um filho... O pai de Pema vendia sua produção a um comerciante local desde sempre, mesmo que ele o roubasse na pesagem. Tashi praticamente chama de ladrão o único que atravessava o vale para vir comprar a produção da fazenda e este decide não mais fazer negócios por ali. Isso obriga o pai de Pema a vender sua produção na cidade, onde repara que era muito lesado pelo outro comprador, pois na volta o dinheiro nem lhe cabia na carteira...
2. Ambição: (outro pecado).
Tashi conhece a criada de Pema, Sujata, e se encanta por ela (mais um pecado:cobiça). Tashi pensa em aumentar os lucros dispensando trabalhadores locais
3. Cobiça: (outro pecado egoísmo), o que o faz desistir é sua esposa, com pena dos pobres trabalhadores... Uma noite, a plantação pega fogo e todos os trabalhadores da região têm que lutar contra o incêndio para salvar a colheita... salvam metade dela, e ao invés de ficar grato por isso, Tashi vai à cidade espancar o antigo comprador da plantação e o acusa de ter começado o fogo para vingar-se
4. Ira: (mais um pecado), mas sai todo quebrado. Depois disso, ele não tinha mais cara de aparecer na cidade para vender a colheita, e quem passa a acompanhar o pai nisso é Pema. Aproveitando-se da ausência de Pema, Tashi trai a esposa com Sujata
5. Traição: (mais pecado). Ao notar que a esposa voltara, tenta desvencilhar-se rápido de Sujata, que lhe diz: “Por que a pressa? Pema sempre me disse que isso acabaria acontecendo um dia...” Então Tashi vê que sua esposa o tinha por qualquer outro homem e não como um ser especial como ele mesmo se sentia por ter sido monge desde os 5 anos...
6. Orgulho: (outro pecado) assim, ele nem sabia mais como encarar a esposa. Logo chega um seu antigo companheiro de mosteiro lhe trazendo a notícia de que seu mestre morrera, mas que lhe deixou uma mensagem: “Vou voltar para o Samsara. Quem sabe então você possa me dizer o que é melhor: satisfazer mil sonhos ou conquistar apenas um”. Tashi reconhece nisso a oportunidade de voltar ao mosteiro, e resolve faze-lo como fez Buda ao deixar seu palácio: no meio da noite e sem se despedir da esposa e filho pequeno. Quase chegando ao mosteiro, ele encontra Pema, que lhe pergunta se ele sabe quem foi Yashodara (esposa de Buda), ou o que ela fez depois que ele a deixou, quais eram seus sonhos e aspirações, se Buda na verdade não desenvolveu a compaixão pelo mundo devido à convivência com ela (o que é muito provável). Depois que ela parte, ele reencontra a pedra com a frase do início: “Como impedir que uma gota d'água desapareça ao sol” ?. Atrás vinha a resposta:
“Atirando-a ao mar”. Ali ele entendeu que o fim do sofrimento, da angústia e da dor era a morte do ego. Apenas isso. E que sem isso, todos voltamos ao Samsara.
Elenco Principal: Christy Chung, Jamayang Jinpa, Kelsang Tashi, Lhakpa Tsering, Neelesha BaVora, Shawn Ku, Sherab Sangey, Tenzin Tashi.

O filme é uma reflexão profunda sobre o desejo e a necessidade de auto-satisfação. Sobre até que ponto você iria, o que você arriscaria para realizar suas vontades/necessidades e se isso valeria realmente a pena. Com base nos ensinamentos budistas, o filme guarda seu golpe para o final, em que o diretor/roteirista conclui que nenhuma ação no caminho da realização pessoal é isenta de vítimas. Não que o filme exalte a culpa, mas sim a consideração com o próximo. O filme até tenta escapar deste destino, mas preferiu apostar no protagonista (e no homem, em geral) como um produto de sua história. Sem dúvida, esse filme mostra que sem amor (renúncia, desapego), a vida não vale nadinha.
Surpreende o fato de se tratar também de um filme super sensual. Cenas de sexo são exibidas, nada apelativo, de muito bom gosto. E, quando se sai da sala, é inevitável imaginar a posição "helicóptero". Estaria certamente em um livro chamado “Para Além do Kama Sutra”, se este tivesse sido escrito...

2 comentários:

A.'.U'.'M.'. disse...

Muito bom seu texto.

pietrobon-costa blog disse...

Eu vi o filme ontem pela primeira vez. Estética, beleza... e estou me viajando até agora. Se a essência deixa de ser essência, para onde estaremos caminhando?Tomara que muitas pessoas tenham a oportunidade de olharem para si diante do esplêndido cenário. Seus comentários são maravilhosos e didáticos. Super, hiper parabéns!!!