19 de maio de 2008

Encontro do padre Manuel da Nóbrega com um pajé indígena

Foto de Aristóteles Barcelos Neto - Máscaras Wauja
“Trabalhei por me encontrar com um feiticeiro, o maior desta terra, o qual todos chamam para curar as suas doenças. Perguntei-lhe em nome de que poder o fazia, se tinha comunicação com Deus, que fez o céu e a terra e reinava nos céus, ou com o demônio, que estava nos infernos? Respondeu-me com pouca vergonha, que ele era deus, e que havia nascido deus, e me mostrou um deles a quem dizia haver curado, e que o Deus dos céus era seu amigo e lhe aparecia em nuvens, em trovões e em relâmpagos, e em outras muitas coisas”.
(In: Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil.
Editadas pelo padre Serafim Leite. São Paulo:
Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, 1954)
Sobre o papel dos pajés entre os Tupinambás da costa do Brasil, quando da chegada dos primeiros missionários jesuítas no século XVI, pode-se afirmar que:
Em relação às sociedades indígenas do Brasil, o mundo sobrenatural era muito real para os indígenas. Sentiam-se rodeados de espíritos, benéficos ou maléficos, alguns protetores, mas em sua maioria malévolos. A vida tribal estava envolvida numa trama de lendas, mitos, cerimônias e crenças espirituais. Toda tribo tinha pajé para interpretar o mundo sobrenatural e curar por meio de seus poderes especiais.

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