31 de janeiro de 2019

A Flor Saudade

Caravaggio - The Musicians
Tu és minha companheira,
Ó triste e animosa flor!
Se tens de saudade o nome
Da saudade eu tenho a dor.

Recebe este frio beijo,
Beijo de melancolia,
Tem de amor toda a doçura,
Mas não de amor a alegria.

Onde te pegou Marília?
Dize, onde um beijo te deu?
Mostra o lugar, nele quero,
Dar-te eu outro beijo meu.

Se Marília quer que exprimas
O que ela sente por mim,
Porque murchas? Não me lembres
Que amor também passa assim.

Marília em tudo te iguala,
Linda e delicada flor,
Mas infeliz se em seu peito,
Quanto duras, dure amor!

Tu venturosa cuidavas,
Quando o meu bem te colheu,
Que morreras em seu seio,
Qual morri outrora eu.

Longe d’haste, em que Favónio
Ia contigo brincar,
Em vez de orvalho te sentes,
Só de lágrimas banhar.

Flor infeliz!… Porém eu,
Quanto mais infeliz sou!…
Nada te disse Marília
Quando ela a mim te enviou?

Ah! Se tu saber puderas
Quanto amor, quanta ternura,
Se souberas das delícias
Julgaras da desventura.

Mas que digo! Não me creias,
Não me vás atraiçoar,
Saudade, é crime de amor
Seus mistérios divulgar.

Domingos Borges de Barros (1780-1855)

29 de janeiro de 2019

Os 10 maiores ditadores do mundo antigo

1. Genghis Khan (1162-1227)
Foi um guerreiro e político mongol que expandiu seu território da Ásia até a Europa.
A lenda fez do soberano o próprio sinônimo do déspota sanguinário, assassino impiedoso, mas que deve ser lembrado também pela proeza de unificar os mongóis.
Genghis Khan sentia-se como executor de uma missão divina "Um único sol no céu, um único soberano na terra", costumava dizer sobre si mesmo.
Transformou a força militar dos mongóis num verdadeiro exército nacional. Reuniu os códigos de leis das diferentes tribos numa só constituição.
Genghis Khan foi o maior governante do seu tempo e controlou um território onde coexistiam diferentes etnias e religiões. Tornou-se o único senhor de um império que se estendeu da China ao Golfo Pérsico, dos desertos gelados da Sibéria às florestas indianas.
No entanto, durante suas campanhas militares matou milhões de muçulmanos, cristãos e budistas.

Conquistas Militares

2. Alexandre, o Grande (356-323 a.C.)
Alexandre - Estátua nos Museus Arqueológicos de Istambul

Alexandre, conquistador do Império Persa, foi um dos mais importantes militares do mundo antigo.
Na sua infância teve como tutor Aristóteles, que ensinou-lhe retórica e literatura, e estimulou seu interesse pelas ciências, medicina e filosofia.
Alexandre destacou-se pelo brilhantismo tático e pela rapidez com que atravessava grandes territórios. Ainda que valente e generoso, era cruel quando a situação política assim o exigia. Cometeu alguns atos dos quais se arrependeu, como o assassinato de seu amigo Clito em um momento de embriaguez. Como político e dirigente, teve planos grandiosos. Segundo alguns historiadores, elaborou um projeto de unificar o Oriente e o Ocidente em um império mundial.
Acredita-se que cerca de 30 mil jovens persas foram educados na cultura grega e em táticas militares macedônicas, sendo aceitos no exército de Alexandre. Ele também adotou costumes persas e casou com mulheres orientais: Estatira ou Stateira, filha mais velha de Dario, e com Roxana, filha do sátrapa Bactriana Oxiartes. Além disso, subornou seus oficiais para que aceitassem mulheres persas como esposas.
Alexandre ordenou que após sua morte, as cidades gregas lhe adorassem como um deus. Ainda que provavelmente tenha dado a ordem por razões políticas, segundo sua própria opinião e a de alguns contemporâneos, ele se considerava de origem divina.
Para unificar suas conquistas, Alexandre fundou várias cidades ao longo de seus territórios, muitas das quais se chamaram Alexandria em sua homenagem. Essas cidades eram bem situadas, bem pavimentadas e contavam com bom serviço de abastecimento de água. Eram autônomas, mas sujeitas aos editos do rei. Os veteranos gregos de seu exército, bem como os soldados jovens, negociantes, comerciantes e eruditos, se instalaram nelas, levando consigo a cultura e a língua gregas. Assim, Alexandre estendeu amplamente a influência da civilização grega e preparou o caminho para os reinos do período helenístico e para a posterior expansão de Roma.
Por ter morrido ainda jovem e sem derrotas, muito se especula sobre o que teria acontecido se tivesse vivido mais tempo. Se tivesse conduzido suas forças numa invasão das terras a oeste do Mediterrâneo, provavelmente teria alcançado sucesso, e, nesse caso, toda a história da Europa ocidental poderia ser completamente diferente.
Em 2004, o diretor de cinema Oliver Stone lançou o filme Alexandre, contando a biografia deste grande imperador da antiguidade.

3. Qin Shi Huang Di (260-210 a.C.)
Estátua do Imperador Qin Shi Huang
Qin Shi Huang (ou Shi Huangdi) foi o primeiro imperador da China unificada e governou de 246 a 210 a.C. Durante os 35 anos de seu governo, Qin foi responsável por magníficos e gigantescos projetos de construção. Ele levou a China a um enorme crescimento cultural e intelectual, e também a muita destruição.
Se Qin Shi Huang deve ser lembrado por suas criações ou por sua tirania ainda é alvo de disputas, mas todos concordam que, como primeiro imperador da dinastia Qin, ele foi um dos mais importantes governantes na história da China.
O jovem rei tinha apenas 13 anos quando chegou ao trono, então seu primeiro ministro (e provavelmente seu pai) Lu Buwei atuou como regente pelos primeiros oito anos de governo.
Era uma época difícil para qualquer governante na China, com sete estados guerreando ferozmente pelo controle da terra. Os líderes dos estados Qi, Yan, Zhao, Han, Wei, Chu e Qin eram Duques durante a dinastia Zhou, mas declararam-se a si próprios Reis assim que a dinastia Zhou se desfez. Neste ambiente instável a guerra floresceu, assim como o livro como A Arte da Guerra de Sun Tzu.
A Grande Muralha da China. Fonte: Wikipedia
A fim de afastar os Xiongnu, Qin Shi Huang ordenou a contrução de enorme muro defensivo. O trabalho foi realizado por centenas de milhares de escravos e prisioneiros entre 220 e 206 a.C, entre os quais incontáveis milhares morreram durante a construção.
Esta fortificação ao norte formou a primeira seção do que se tornaria a Grande Muralha da China.
O imperador também mandou enterrar vivos aproximadamente 46o intelectuais que ousaram discordar dele em 212 a.C, e mais 700 foram apedrejados até a morte. Desde então, a única escola de pensamento permitida era o Legalismo: siga as leis do imperador ou sofra as consequências.
A medida que alcançava a meia idade, o primeiro imperador ficava com mais e mais medo da morte. Ele se tornou obcecado em encontrar o elixir da vida, que permitiria que ele vivesse para sempre.
Os médicos e alquimistas da corte inventaram inúmeras poções, muitas delas contendo mercúrio, o que provavelmente teve o irônico efeito de adiantar a morte do imperador ao invés de preveni-la.
Apenas para o caso de os elixires não funcionarem, o imperador ordenou a construção de uma tumba gigantesca para ele próprio. Planos para a tumba incluíam rios de mercúrio, armadilhas com bestas para frustrar futuros saqueadores e réplicas dos palácios mundanos do imperador.
4. Júlio César (100-44 a.C)
Alesia Siege - Julius Caesar

Caio Júlio César (nome real de Gaius Julius Caesar). Pertencente a dinastia Julio-Claudiana, Júlio César teve um papel fundamental na passagem da República para o Império Romano. Durante o seu governo (outubro de 49 a.C. a 15 de março de 44 a.C.) fez grandes conquistas militares para Roma. - Em 82 a.C., escapou das perseguições impostas pelo ditador romano Sila;
- De 81 a.C. a 79 a.C. prestou serviço militar em regiões da Ásia e Sicília;
- Na década de 70 a.C. atuou como advogado;
- Em 69 a.C. assumiu o cargo de questor do Império Romano na região da Hispânia;
- Em 65 a.C. assumiu o cargo de edis curuis;
- Em 63 a.C. foi eleito pontifex maximus e pretor urbano;
- Em 58 a.C. , comanda, com vitória, as tropas romanas na Gália na Batalha de Bribacte;
- Em 52 a.C. comanda o exército romano na Gália na campanha vitoriosa na campanha da Batalha de Alésia;
- Em 48 a.C. derrotou Pompeu na Grécia e tornou-se ditador romano;
- Em 47 a.C. comanda o exército romano na Campanha Militar no Egito. Neste mesmo ano conheceu Cleópatra;
- Sai vitorioso, em 46 a.C. , durante a campanha militar no norte da África;
- Em 15 de março de 44 a.C. foi assassinado por Brutus, após uma conspiração do Senado Romano.
5. Átila, o Huno (406-453 a.C)

Átila foi um dos líderes guerreiros mais violentos e temidos da antiguidade. Viveu no século V e liderou a tribo bárbara dos hunos. Esta tribo habitava a região onde hoje se localiza a Hungria.
Na liderança dos hunos, após matar o próprio irmão, comandou várias ações militares no continente europeu. Comandou seu exército na invasão do Império Romano, saqueando e destruindo diversas cidades romanas. Invadiu cidades romanas da região do rio Danúbio e nos Bálcãs. Atacou também, com seu exército, a região da Gália (na atual França).Com a aliança que firmou com outros povos bárbaros, chegou a comandar uma extensa região entre o Mar Cáspio e o rio Reno.
Tentou dominar Constantinopla, porém acabou desistindo em função do grande poderio do Império Bizantino. Exigiu e conseguiu do papa Leão I uma certa quantia de tributos para deixar de invadir e destruir cidades italianas.
Passou para a história por ser um comandante militar muito cruel e violento. Foi apelidado em sua época de “o flagelo de Deus”. Quando entrava nas cidades, ordenava a destruição de casas e construções, além de exigir a execução de várias pessoas, com objetivo de demonstrar poder e despertar o medo nos inimigos.
No ano de 451 sofreu uma grande derrota durante as batalhas para invadir a região da Gália, em função da união entre os bárbaros godos e romanos. Morreu em 453 quando se preparava para invadir regiões da Itália.
Indicação de filme:
- Átila, o Huno
Ano: 2001
Direção: Dick Lowry
Gênero: Guerra, Aventura, Drama
Temas: invasão do Império Romano, povos germânicos

6. Aníbal Barca (247-183 a.C)

Francisco de Goya - Aníbal vitorioso contemplando pela primeira vez a Itália pelos Alpes
Aníbal Barca foi um importante estadista e general cartaginês. Filho de Amílcar Barca, nasceu na cidade de Cartago (atual Tunis, capital da Tunísia) em 247 a.C. e morreu 183 a.C. em Bitínia (província romana na Ásia Menor).
Aníbal destacou-se pela sua qualidade como estrategista militar durante a Segunda Guerra Púnica, entre Roma e Cartago.
Entre as estratégias mais impressionantes desta guerra, destaca-se a que Aníbal conduziu um exército, com a presença de vários elefantes de guerra, da Hispânia até o norte da península Itálica, passando pelos Pirineus e Alpes. Derrotou o exército romano em várias batalhas campais, embora os cartagineses não tenham conseguido conquistar Roma.
Principais batalhas que comandou:
- Tomada de Sagunto
- Batalha do Ticino
- Batalha do Trébia
- Batalha do Lago Trasimeno
- Batalha de Canas

7. Ramsés II (1303-1213 a.C)
Ramsés II (o Grande) foi um faraó egípcio, permanecendo no trono entre os anos de 1279 a.C. a 1213 a.C. Seu reinado foi considerado o mais próspero do Egito.
Ramsés II era descendente de uma família de militares, seu avô chegou ao trono egípcio quando era general do faraó Horemheb, que ao morrer não deixou herdeiros e nomeou o general para iniciar uma nova dinastia. Ramsés era filho do faraó Seti I e da rainha Tuya. Com 10 anos de idade Ramsés teve certeza que assumiria o trono ao ser reconhecido como “filho primogênito do rei”. Para se preparar para assumir o trono futuramente, seu pai tratou de inserir o filho nas atividades militares ao seu lado. Sua primeira aventura foi participar da conquista do Líbano.
Em 1279 a.C. Ramsés assumiu o trono, já mostrando que daria muita importância ao setor militar. Mandou construir fortificações nas fronteiras egípcias, que além de garantir proteção, criava uma via que facilitava o deslocamento das tropas militares. No governo de Ramsés o exército foi profissionalizado. Os guerreiros eram bem treinados, assalariados além de receberem lotes de terra.
Ramsés fundou uma nova capital próxima ao delta do Nilo e das fronteiras, um lugar estratégico para a movimentação das tropas e foi batizada de Pi-Ramsés. Toda a corte egípcia e militar da alta patente se mudou para a nova capital, onde se formou uma indústria bélica, que fabricava carros de guerra, armaduras, armas e até barcos. As outras três capitais egipsias continuavam exercendo papel político e religioso.
A primeira grande expedição de conquistas foi realizada no quinto ano do seu reinado, quando o exército de Ramsés seguiu pelo litoral do Mediterrâneo e, reconquistou Tiro e ocupou a região do Canaã e Amurru. A tropa com cerca de 30 mil homens chegou ao Líbano, para lutar contra os hititas. Essa guerra ficou conhecida como a Batalha de Kadesh, que aconteceu na divisa dos impérios egípcio e hitita. A batalha durou 15 anos e só terminou após um acordo de paz assinado pelos dois lados e a anistia aos refugiados e acerto dos territórios.
Com o acordo de paz no norte, Ramsés decidiu expandir o império para o sul, onde os povos que lá viviam não ofereciam perigo, pois eram desorganizados e não tinham equipamentos de guerra. A região começou a ser explorada, pois era possível encontrar grandes quantidades de pedras preciosas. O povo se rebelou e a reposta dos egípcios foi uma verdadeira carnificina contra os métodos rústicos daqueles povos.
Com a expansão do império, Ramsés conseguiu considerável fortuna com a exploração dos recursos naturais o que fez desta época a mais próspera do Egito. Foram realizadas diversas construções de templos e monumentos, se tornando o faraó que mais construiu obras desse porte.
Ramsés teve várias esposas, mas a mais importante foi Nefertari. Com ela teve seu primeiro filho. Há relatos que o casal teve mais três filhos e duas filhas. O túmulo mais famoso do Vale das Rainhas foi construído para Nefertari, que teria falecido no vigésimo quarto ano do reinado de Ramsés. Para alguns pesquisadores Ramsés é considerado o faraó do Êxodo dos hebreus relatado na Bíblia. Teria vivido 90 anos e governado o Egito durante 66 anos.

8. Cleópatra (69 - 30 a.C.)
Johann Liss - Death of Cleopatra
Cleópatra VII foi rainha de 51-30 aC, durante a conquista romana.
Filha de Ptolomeu XII, Cleópatra foi a primeira rainha grega a falar egípcio, adotar certas crenças faraônicas e queria devolver ao Egito seu antigo esplendor.
Subiu ao trono aos 18 anos e enfrentou uma guerra contra o irmão.
Posteriormente, foi amante de Júlio César, que lhe garantiu o trono do Egito. Em seguida, se relacionou com Marco Antônio. De ambos teve filhos que estavam destinados a serem soberanos.
Com a derrota de Marco Antônio pelas tropas de Otávio Augusto, o primeiro comete suicídio. Para não se tornar um brinquedo nas mãos do novo conquistador, Cleópatra também se mata, deixando-se morder por uma serpente.
9. Nero Cláudio César Augusto Germânico (37-68)

John William Waterhouse - Os remorsos de Nero

Nero foi um imperador romano do ano de 54 a 68 da era cristã. Até hoje é uma das figuras históricas mais polêmicas de todos os tempos. Seu nome completo era Nero Cláudio Augusto Germânico. Nasceu na cidade de Anzio (na atual Itália) no dia 15 de dezembro de 37. Nero tornou-se imperador romano em 13 de outubro de 54, numa época de grande esplendor do Império Romano. Nos cinco primeiros anos de seu governo, Nero mostrou-se um bom administrador. Na política, usou a violência e as armas para combater e eliminar as revoltas que aconteciam em algumas províncias do império.
No tocante às guerras de expansão, Nero demonstrou pouco interesse. De acordo com os historiadores da antiguidade, empreendeu apenas algumas incursões militares na região da atual Armênia.
Suas decisões políticas, militares e econômicas eram fortemente influenciadas por algumas figuras próximas. Entre elas, podemos citar sua mãe, Agripina, e seu tutor, Lucio Sêneca.
O que mais marcou a história de Nero foi o caso do incêndio que destruiu parte da cidade de Roma, no ano de 64. Porém, de acordo com alguns historiadores, não é certa a responsabilidade de Nero pelo incidente. O imperador estava em Anzio no momento do incidente e retornou à Roma ao saber do incêndio. Os que apontam Nero como culpado baseiam-se nos relatos de Tácito. Este afirma que havia rumores de que Nero ficou cantando e tocando lira enquanto a cidade queimava.
O fato é que Nero culpou e ordenou perseguição aos cristãos, acusados por ele de serem os responsáveis pelo incêndio. Muitos foram capturados e jogados para serem devorados pelas feras.
Além deste episódio, outros colaboraram para a fama de imperador violento e desequilibrado. No ano de 55, Nero matou o filho do ex-imperador Cláudio. Em 59, ordenou o assassinato de sua mãe Agripina.
Nero se suicidou em Roma, no dia 6 de junho de 68, colocando fim a dinastia Julio-Claudiana.
10. Calígula - Caio Júlio César Augusto Germânico (12-41).
Calígula, foi um imperador romano do ano 37 a 41. Calígula era da dinastia júlio-claudiana e passou para história como um dos mais cruéis, polêmicos e extravagantes imperadores romanos.
No campo militar, destacou-se nas campanhas da Britânia e Gália. Anexou a província da Mauritânia.
- Administrativamente, Calígula foi responsável por um significativo desenvolvimento econômico de Roma, no início de seu governo (antes da doença mental). Porém, de acordo com Seutônio, Calígula desde jovem demonstrava personalidade cruel e era um amante da vida sem regras.
- Adquiriu uma doença mental, provavelmente demência, que o fez perder o equilíbrio e a lucidez. Este problema interferiu em seu modo de governar. A partir de então, Roma passou por dificuldades, principalmente financeiras, em função dos gastos exagerados com reformas públicas e urbanísticas. Historiadores afirmam que estes gastos públicos irracionais chegaram a provocar a fome em grande parte dos habitantes de Roma.
- Tornou-se um tirano e introduziu em Roma o culto divino ao imperador.
- Durante seu governo teve vários atos cruéis como, por exemplo, mandar matar membros de sua própria família. Perseguiu também vários membros da aristocracia, com o objetivo de tomar seus bens.
- Um dos fatos mais icônicos de seu reinado, foi sua ideia de colocar no Senado Romano, o seu cavalo favorito, Incitatus. Porém, muitos historiadores dizem que esta história é mais lendária do que verídica.
- Alguns historiadores da época descrevem Calígula como uma pessoa totalmente desiquilibrada no âmbito das relações pessoais. Vida sexual desregrada, conflitos familiares e atitudes provocativas fizeram parte da vida do polêmico imperador romano.
- Calígula teve quatro esposas: Júnia Claudilla, Lívia Orestila, Lólia Paulina e Milônia Cesônia. Com esta última teve sua única filha: Júlia Drusila.
- Calígula faleceu em 24 de janeiro de 41 (aos 28 anos), na cidade de Roma, vítima de assassinato (conspiração) por um membro da guarda pretoriana chamado Cassio Cherea.

27 de janeiro de 2019

Lira Itabirana

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.

A dívida externa
A dívida eterna.

Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Carlos Drummond de Andrade (1902-1988)

26 de janeiro de 2019

O Sal da Terra

Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver.

A paz na Terra, amor.
O pé na terra
A paz na Terra, amor

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois.

Beto Guedes

25 de janeiro de 2019

A São Paulo

Wasth Rodrigues - Antiga faculdade de direito do Largo São Francisco
Terra da liberdade!
Pátria de heróis e berço de guerreiros,
Tu és o louro mais brilhante e puro,
O mais belo florão dos brasileiros!

Foi no teu solo, em borbotões de sangue
Que a fronte ergueram destemidos bravos,
Gritando altivos ao quebrar dos ferros:
- Antes a morte que um viver de escravos!

Foi nos teus campos de mimosas flores,
À voz das aves, ao soprar do norte,
Que um rei potente às multidões curvada
Bradou soberbo: - Independência ou morte!

Foi no teu seio que surgiu, sublime,
Trindade eterna de heroísmo e glória,
Cujas estátuas cada vez mais belas,
Dormem nos templos da brasília história!

Eu te saúdo, oh! majestosa plaga,
Filha dileta, e estrela da nação,
Que em brios santos carregaste os cílios
À voz cruenta de feroz Bretão!

Pejaste os ares de sagrados cantos,
Ergueste os braços e sorriste à guerra,
Mostrando ousada ao murmurar das turbas,
Bandeira imensa da cabrália terra!

Eia! caminha, o Partenon da glória
Te guarda o louro que premia os bravos!
Voa ao combate repetindo a lenda:
- Morrer mil vezes que viver escravos!

Fagundes Varela (1841-1875)

24 de janeiro de 2019

Banco Cego

Pieter Bruegel the Elder
Longe do mar e da formosa guerra,
que assim o amor todo o perdido louva,
o bucaneiro cego fatigava
os terrosos caminhos da Inglaterra.

Escorraçado pelos cães das granjas,
caçoada dos meninos do povoado,
dormia um enfermiço e gretado
sono no enegrecido pó das sanjas.

Sabia que em remotas praias de ouro
era seu um recôndito tesouro
e isso serenava sua adversa sorte;

a ti também, em outras praias de ouro,
te aguarda incorruptível teu tesouro:
a vasta e vaga e necessária morte.

Jorge Luis Borges (1899-1986)
Tradução: Josely Vianna Baptista

22 de janeiro de 2019

Consolação

Robert Auer
Quando à noite no baile esplendoroso
Vais na onda da valsa arrebatada
Com a serena fronte reclinada
Sobre o peito feliz do par ditoso...

Mal sabes tu que existe um desditoso
Faminto de te ver, oh minha amada!
E .que sente a sua alma angustiada
Longe da luz do teu olhar piedoso.

Mas quando a roxa aurora vem nascendo,
E a cotovia acorda o laranjal,
E os. astros vão de todo esmorecendo;

Eu cuido ver-te, oh lírio divinal,
As minhas cartas ávida relendo
Semi-nua no leito virginal.

Gonçalves Crespo (1846-1883)

20 de janeiro de 2019

Feridos, Silenciaram

Jerci Maccari
Era tempo de colheita.

Auroras inesperadas,
a Letra das Escrituras
ungindo as horas para
a Eternidade.

E
eu segredava:

podes levar o que quiseres,
deixando-me
as dimensões da Cruz,
para conferir o que restar.

Então vieste,
sem aviso.

Cega de espanto,
quis regatear.

Cega diante da Tua Vontade,
espada de gume ardente,
fogo a lavrar
nos ermos da minha fé,
nos ermos da minha dor.

Cega, feri os pulsos no Teu Sigilo.

Feridos, silenciaram.

Era tempo de dar.

Carminha Gouthier (1903-1983)

18 de janeiro de 2019

Fogo da paixão

Belles Heures of Jean de France - Duc de Berry
Deixai de reprovar-me a paixão e desculpai-me,
emprestai-me vossas lágrimas se choro,
não censureis sua paixão a alguém como eu,
louco de amor. Sentísseis vós o que eu sinto,
mandar-me-íeis ignorar o sono:
pois eu, pela paixão, estou privado dele.
Vós conheceis o sono, mas meus olhos,
na amargura do tempo,
não conhecem a união com o descanso.
Amigos, dizei-me a verdade,
que sabor tem o sono, que eu já o esqueci?

Ibn Sahl de Sevilha (1212-1251)
Tradução: Carlos Mendonça Lopes

16 de janeiro de 2019

O quarto poder

Cecília Meireles - batuques, sambas e macumba
O jornal reporta pessoas como sempre.
O duplo de papel da carnalidade,
Mantém a vida na moda
E incensa o incerto original.
Lemos com fé, esfregando a lâmpada fictícia,
E logo surgem gênios para se fofocar
Da ampla página, e pela matéria
Sabemos sobre nós, silenciados
Por nossas fotos impressas suspensas
Numa parede frágil.

E a folha circula talvez além
Dos limites privados do boato carnal.
E a propaganda é a de um retrato ativo
Que serve a um modelo calado,
Pleiteia um bom lugar na galeria remota,
Garante à criatura a imortalidade empoeirada
De um fantástico memorando
Num arquivo perdido.

Laura Riding (1901-1991)
Tradução: [Rodrigo Garcia Lopes]

14 de janeiro de 2019

Do verbo o verbo...

Hassina Bouglam
É o poema em mim que escreve o meu poema,
do verbo o verbo se origina.
Ele é meu ocupante; e nem sei se me ama.
Quer a poesia, essa inquilina,

meu espaço vital gerir e, furibunda,
ralha: quem sabe estou errado.
Há de absolver-me um dia; em sua porção mais funda,
eu lhe preparo um melhor fado.

Faremos par feliz; há de a minha alegria
vencer-lhe toda inquietação.
Os trêmulos detesta; a mim não cederia
emprego algum: a narração,

nem a trama, ou a letra, ou mesmo a melodia,
pois tudo quer decidir logo.
Meu cérebro retrai-se e a minha razão fria
Não vale um dado posto em jogo.

Sou para o meu poema esqueleto ilusório;
numa mortalha ia melhor.
Ele é adulto, pode ser o promontório,
a ave, o azul e a tília em flor. br>
Nada mais a dizer, poeta; quieto assim
sonhando com sonhar eu vou.
Em si mesmo se pensa o poema, sem mim;
luxúria de que me privou.

Alain Bosquet(1919-1998)
Tradução: Mário Laranjeira

12 de janeiro de 2019

Prognóstico

Loui Jover - Ilustração
Poeta,
Creia,
Nem tudo está perdido,
Porque,
Felizmente,
Sobretudo o mais,
O seu ideal,
A muitos outros ainda comove, Demove
e

Predomina.


- Ada Ciocci Curado (1916-1999)

10 de janeiro de 2019

Caos climático

Gustav Klimt
É temerário descartar
a memória das Águas
o grito da Terra
o chamado do Fogo
o clamor do Ar.

As folhas secas rangem sob os nossos pés.
Na ressonância o elo da nossa dor
em meio ao caos
a pavorosa imagem
de que somos capazes de expor
a nossa ganância
até não mais ouvir
nem mais chorar
nem meditar,
nem cantar...
só ganância, mais nada.

É temerário descartar
a memória das Águas
o grito da Terra
o chamado do Fogo
o clamor do Ar.

- Graça Graúna

8 de janeiro de 2019

Vestibular 2ª Fase da Fuvest 2019

Leia os textos:
Texto I
Devo acrescentar que Marx nunca poderia ter suposto que o capitalismo preparava o caminho para a libertação humana se tivesse olhado sua história do ponto de vista das mulheres. Essa história ensina que, mesmo quando os homens alcançaram certo grau de liberdade formal, as mulheres sempre foram tratadas como seres socialmente inferiores, exploradas de modo similar às formas de escravidão. “Mulheres”, então, no contexto deste livro, significa não somente uma história oculta que necessita se fazer visível, mas também uma forma particular de exploração e, portanto, uma perspectiva especial a partir da qual se deve reconsiderar a história das relações capitalistas.
FEDERICI, Silvia, Calibã e a Bruxa: mulheres,
corpo e acumulação primitiva. S.l.: Elefante, 2017.
Texto II
Em todas as épocas sociais, o tempo necessário para produzir os meios de subsistência interessou necessariamente aos homens, embora de modo desigual, de acordo com o estádio de desenvolvimento da civilização.
MARX, Karl, O capital. São Paulo: Boitempo, 2017.
a) Existe diferença de sentido no emprego da palavra “homens” em cada um dos textos? Justifique.

b) Explique o uso das aspas em “’Mulheres’”, no texto I
Resolução:
a) No texto 1 “homens” foi empregado como pessoas do gênero masculino em oposição a “mulheres”. No texto II, “homens” foi empregado com sentido de humanidade.

b) As aspas foram usadas para destacar o significado atribuído à palavra “mulheres” que, segundo o autor, foi empregada no capitalismo como indicadora de seres “socialmente inferiores”.

7 de janeiro de 2019

Vestibular 2ª Fase da Fuvest 2019

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo pessoal
Adeus.
(Adeus Meu caro amigo). - Chico Buarque e Francis Hime, 1976.

a) Levando em conta o período histórico em que a letra da música foi composta, justifique o uso do plural no terceiro verso.

b) A letra da canção apresenta características de qual gênero discursivo? Aponte duas dessas características:
Resolução:
a) O 3º verso apresenta o verbo permitir (“permitem”), com sujeito indeterminado, referindo-se aos censores, que, na época da ditadura militar eram encarregados de analisar as produções artísticas, antes de sua divulgação, a partir de critérios políticos e ideológicos do regime militar.

b) O texto apresenta características do gênero epistolar (carta), apesar de ser uma letra de música, que comenta a dificuldade de se comunicar com o amigo em razão da censura prévia (“o correio andou arisco”). Pode-se classificá-la como carta-canção, considerando que há um remetente (o próprio autor) e um destinatário (“meu caro amigo”). A comprovação do gênero epistolar encontra-se na estrutura da canção: o uso de vocativo (“meu caro amigo”) e a despedida (“Um beijo na família, na Cecília e nas crianças”, “Adeus”).

6 de janeiro de 2019

Reis Magos

Zanobi Strozzi
E para ouvir a sua história
vieram três reis encantados:

um vermelho, o que lhe trouxe
a manhã como presente;

outro branco, o que lhe havia
feito presente do dia;

outro preto, finalmente,
rosto cortado de açoite.
O que lhe trouxera a Noite…

Cassiano Ricardo (1895-1974)

4 de janeiro de 2019

Paraquedistas

Yavuz Sariyildiz - Paragliding
escrever é dedicar
os dedos à marcenaria
de qualquer jardim

desatamos as mãos
e a tontura que dá
vem do alto

o cair das nuvens folhas
passarinho avião papel
picado a lua no mar

silêncio de planta, euforia
de cama elástica, alegria
de piquenique no parque

e tanto carinho
guardo pra você
numa luva de boxe

- Bruna Beber

2 de janeiro de 2019

Esta é uma declaração de amor

Esta é uma declaração de amor:
amo a língua portuguesa.
Ela não é fácil. Não é maleável.
E, como não foi profundamente trabalhada
pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutileza
e de reagir às vezes com um pontapé contra
os que temerariamente ousam transformá-la numa
linguagem de sentimento de alerteza. E de amor.

A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve.
Sobretudo para quem escreve tirando das coisas
e das pessoas a primeira capa do superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado.
Às vezes assusta com o imprevisível de uma frase.
Eu gosto de manejá-la - como gostava de estar montando
num cavalo e guiá-lo pelas rédeas,
às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo
nas minhas mãos - e este desejo todos os que escrevem têm.
Um Camões e outros iguais não bastaram
para nos dar uma herança de língua já feita.
Todos nós que escrevemos estamos fazendo
do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos.
Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua
que não foi aprofundada.
O que recebi de herança não me chega.

Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever
e me perguntassem a que língua eu queria pertencer,
eu diria: inglês, que é preciso e belo.
Mas como nasci muda e pude escrever,
tornou-se absolutamente claro para mim
que eu queria mesmo era escrever em português.
Eu até queria não ter aprendido outras línguas:
só para que minha abordagem do português
fosse virgem e límpida.

Clarice Lispector (1920-1977)