14 de abril de 2018

Oráculo de Eros

William-Adolphe Bouguereau
Para que não seja o teu corpo
a parte proibida do horto.

Mas a volúpia que marcasse,
entre volutas, tua face.

Somente a tua: mais nenhuma
com tamanho langor de espuma.

Com tamanha extensão de chama,
que até a memória se inflama

a cada letra do teu nome
(pois todas as outras consome).

Que seja o teu corpo o instrumento
tocado em pelo contra o vento

e por ele, vento, encarnado,

por fim tão senhor quanto escravo:
corpo de onde eu mesmo me escavo.

Iacyr Anderson Freitas

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