28 de julho de 2017

O Boi

Edouard Debat Ponsan
Amo-te, ó pio boi! Um sentimento
De vigor e de paz tu me ofereces
Quando, impassível como um monumento,
O olhar nos campos verdes adormeces...

Preso à canga, momento por momento,
Mais útil e paciente me pareces.
O homem te ordena e tu, no macilento
Volver dos olhos tristes, lhe obedeces.

Pela tua narina escura e fria,
Teu espírito passa e é um hino ardente
Teu mugido cortado de agonia.

E em teu olhar, que pelo azul se perde,
Se esconde, longa e dolorosamente,
Verde, a planura do silêncio verde.

Giosuè Carducci (1835-1907)

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