11 de junho de 2017

O Estranho

Hugo Simberg
Não sei dizer quando começou, não sei.
Faz um mês que me dei conta, e
desde então sucedeu cada noite.

Tomei todas as precauções necessárias:
deixar o carro no lugar seguro de costume,
assegurar-me de ter fechado bem as portas. Em vão.

Ao dia seguinte o encontraria aberto.
No princípio decidi estacionar
por outros bairros. Em vão.

O encontrava aberto. Ao parecer,
alguém costumava dormir dentro.
E eu ia trabalhar com seu odor.

Logo pensei que se não fazia outra coisa que dormir,
não era tão grave. Ao fim e ao cabo,
não levava o carro. E mais,

me resultava agradável aquele perfume distante.
Me perguntava sobre sua origem,
pela cor da pele, seria negra ou da cor do mel?

Uma vez lhe deixei uma flor. Colheu-a.
No dia seguinte lhe deixei uma mensagem. Em vão. Não voltou a aparecer.

Kirmen Uribe
Tradução: Angela Caon Pieruccini

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