22 de maio de 2017

Poema

Renoir
Todo o Ser, na sequência
das transformações, apela
um dia para ser outro.
Em Setembro, na pequena casa
de troncos e dúbio colmo,
apaga-se o alvor da manhã
em janelas, porventura poças.
Da soleira desce-se então
para um berço da caruma,
chão que inebria o olfato.
Depois do sol, as nuvens
insistem uns dias em espelhar-se
nos resíduos de chuva.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)

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