17 de maio de 2017

O verão é o êxtase do fogo.

Ron Di Scenza
Desabrocha francamente a primavera púbere. O esplendor viçoso das formas da juventude aguarda a carícia da asa do estio que aquece e fecunda. Chega então a festa do amor, a orgia do fogo.
Fulge no abrasado zênite o sol, como um troféu de espadas nuas e a natureza enleada pelas serpentes da lascívia estival, debate-se à luz, vencida, - bela amante que sucumbe ao amor carnívoro, pungente de um semideus guerreiro, na própria tenda de campanha, bêbado ainda do furor do reencontro, excitado pelo cheiro cruento da matança.
Ser amada assim! suspirava a selvagem Rute, meiga e aérea criança, no fundo misterioso do sangue.
Raul Pompéia (1863-1895)

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