16 de maio de 2017

A casa da cortesã

Adrienne Stein
O Fio colhemos dos pés que dançam,
Vagávamos pela rua enluarada
E paramos em baixo da casa da cortesã.

Lá dentro, acima, do rumor e do motim,
Ouvimos os músicos, alto, tocarem
O “Coração amado e fiel” de Strauss.

Como estranhos e mecânicos bonecos,
Traçando fantásticos arabescos,
As sombras corriam além da persiana.

Vamos girar os fantasmais dançantes
Aos acordes da trompa e do violino,
Como folhas secas girando ao vento.

Como bonecos movidos a cordel,
Dos esqueletos a magra silhueta
Desliza ao som lento da quadrilha.

Em cadeia, todos, de mão dada,
Dançavam majestosa sarabanda;
Frios e agudos seus risos ecoavam.

Às vezes boneca mecânica apertava
A seu peito um amado fantasmal,
Tentar cantar às vezes pareciam.

Às vezes uma horrenda marionete
Surgia e fumava seu cigarro
Sobre os degraus, como uma coisa viva.

Então, voltando-se para minha amada, disse:
“Os mortos estão dançando com os mortos,
O pó com o pó girando está”.

Ela, porém...ela ouviu o violino
E deixando-me de lado, ali entrou:
O amor penetrou na casa da luxúria.

Então de súbito soou falso o som,
Cansaram-se de valsar os dançarinos,
As sombras cessaram de revolutear.

E pela rua longa e silenciosa
A aurora de sandálias prateadas
Furtiva deslizou como moça espantada.

Oscar Wilde (1854-1900)
Tradução: Oscar Mendes

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