4 de abril de 2017

Amazonas

Charles Emile August Carolus-Duran
Em Manaus, por esta altura nadavas
Respirando longe do jacaré,
Na posse dos segredos da beleza
O fumo dos caminhões era uma seca
Homenagem, quase intacta, à floresta.
E o sabiá, forasteiro,
Sabia tanto, que era
O princípio, o meu
Olhar seguia-te, voava alto,
Eras nova, esguia, carne do rio:
Piranhas sangravam o boi
Mas quem é que via?
Em Manaus nadavas por essa altura
E eu também, nas águas sem fumo
De uma calçada fria. Carreto
Do exílio que desfaz o teu cabelo
Vermelho – sem medo da agonia.

Gil de Carvalho

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