6 de março de 2017

Serenidade

Paul Gauguin
Vai sereno, vai sereno, através do mundo,
Como se pouco ou nada na terra houvesse...
Se sofreres, faz dessa espiritual messe
O sublime fecundar de teu sonho fundo...

Vai sereno... sê um astro ao alto, fecundo,
Ou um abismo horrente de milenar prece...
Vai como se o universo em mãos tivesse...
Vai sereno, vai sereno, através do mundo.

Passa pelo tempo como o sol pelo céu!
Vai assim, acima do rude, vão escarcéu,
À beleza de uma ilusão em ardentia...

E, no entanto, apesar da sofrida pena,
Crê que a dor é das quimeras a mais plena,
A que dos astros guia-nos para a alegria...

Caio Cardoso Tardelli

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