20 de março de 2017

O Tygre

Jean-Léon Gérôme
Tygre, Tygre, em fogo ardendo
Nas florestas, noite adentro;
Que olho ou mão imortal poderia
Forjar temível simetria?

Em que abismo ou céu distantes
Ardiam teus olhos flamantes?
Em que asas voar ele clama?
Que mão ousa tomar a chama?

E que ombro, que maestria
Teu coração amoldaria?
E ao pulsar teu coração,
Que horríveis pés? Que horrível mão?

Com que malho? Com que corrente?
Que fornalha fundiu tua mente?
Em que bigorna? Que mão mordaz
Agarra o terror com a tenaz?

Quando, no céu, estrelas baixaram
Suas lanças, e então choraram;
Ele sorriu ao que inventou?
Quem criou o Cordeiro te criou?

Tygre, Tygre, em fogo ardendo
Nas florestas, noite adentro;
Que olho ou mão imortal ousaria
Forjar temível simetria?

William Blake (1757-1827)
Tradução: Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho

Nenhum comentário: