5 de março de 2017

O erro de Deus

Pekka Halonen
Esqueçamos então que a loucura
é hábil e que é pelo corpo que se escoa
o tempo

E que o corpo é um vento que
nos abandona e nos deixa sem nome
para o sangue, ou para as mãos

A nossa solidão é íngreme
como as grandes fragas negras
sob o voo dos pássaros – esse abismo
onde muito levemente os olhos se deixam
ainda chamar por outros olhos

e a eternidade desiste docemente
como se fosse um erro de Deus.

Gil T. Sousa

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