21 de março de 2017

LXXIX

Eugen von Blaas
Se o fim é igual ao começo e no meio
deste décimo quarto ano inda suspiro,
daquela aura não fujo mais, receio,
pois só cresce o desejo em que me firo.

Em que pensares de Amor não mais me enleio,
sob o seu jogo já não mais respiro,
mas me governa e me parte ao meio:
culpa dos olhos que me põe em giro.

Um dia e outro assim eu vou seguindo
tão silencioso, que só eu percebo
e aquela que, olhando, me esboroa.

A custo até aqui a alma distingo,
e não sei do amanhã o que recebo
pois a morte se apressa e a vida voa.

Francesco Petrarca (1304-1374)
Tradução: José Clemente Pozenato

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