4 de março de 2017

Canção da pulga

Paul Klee
Havia uma vez um rei,
De uma pulga possessor:
Queria-a como a um filho,
Tinha-lhe imenso amor...
Seu alfaiate presto
Chamou: “Ao nobre bicho
Mede as mais ricas vestes
E calças a capricho!”

A seda e a brocados
Fazia a pulga jus;
E a jaquetões bordados,
A fitas e a uma cruz.
E se tornou ministro
Com ordem estrelada;
Seus manos, no registro
Da corte, gente grada...

E a corte toda vinha
Morrendo de mordidas –
A pajem e a rainha,
Doídas e roídas,
Sem poder rechaça-las
Ou moê-las: era a ordem!
Podemos nós calcá-las,
Tão logo, quando mordem.

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Tradução: Geir Campos

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