31 de março de 2017

Primavera depois de Jesus Cristo

Pietro Perugino
Com a primavera de novo
Ela vestiu cores vivas
E com um passo ligeiro
Com a primavera de novo
Com o verão de novo
Ela se pôs a sorrir.

Entre os renovos
Os seios nus até as veias
Para além da noite árida
Para além dos anciões brancos
Chicaneando em voz baixa para saber
Se não valia mais entregar as chaves
Ou esticar a corda e pendurar-se
E não deixar senão corpos vazios
Onde a alma não mais aguentaria
Onde o espírito faltaria
Onde os joelhos se dobrariam.

Na estação dos renovos
Os anciãos perderam a cabeça
E entregaram tudo absolutamente
Netos, bisnetos,
Campos profundos e montanhas verdes,
O amor e a abundância,
A piedade e o abrigo,
Os rios e os mares,
E partiram como estátuas
Deixando atrás de si o silêncio
Que nenhuma espada cortou
Que nenhum galope arrastou
Nem o grito dos adolescentes;
E veio a grande solidão
E veio a grande privação;
Ao mesmo tempo que essa primavera
Ela se estabeleceu, ela se estendeu
Como a geada da aurora
Suspendeu-se dos mais altos ramos,
Nas árvores insinuou-se
E revestiu nossa alma inteira.

Mas ela, sorriu,
Enfeitada de cores vivas
Qual amendoeira florida
Entre chamas amarelas
E foi-se com passo ligeiro
Abrindo janelas
Para o céu que ria
Sem nós, os infelizes.
E vi seu peito nu,
Suas ancas e seus joelhos,
Tal, subindo aos céus
Escapa às torturas
O mártir irredutível
Irredutível e puro,
Fora dos murmúrios confusos da multidão
Na arena desmedida
Fora da careta negra
E da nuca em suor
Do carrasco extenuado
De golpear cada vez em vão.

A solidão tornou-se um lago,
A privação tornou-se um lago,
Um lago virgem e sem rugas.

Giórgos Seféris (1900-1971)
Tradução: José Paulo Paes

30 de março de 2017

A voz da terra

Portinari
Eu sei irmão que a tua dor
não posso avaliá-la exatamente
mas nasci com um caminho igual ao teu.

Isso me basta
para sentir na carne
as feridas que tu sentes e os anseios.

- Costa Andrade

Suave Pantera

Gustav Klimt
Como qualquer animal,
olha as grades flutuantes.
Eis que as grades são fixas:
Ela, sim, é andante.
Sob a pele, contida
— em silêncio e lisura —
a força do seu mal,
e a doçura, a doçura,
que escorre pelas pernas
e as pernas habitua
a esse modo de andar,
de ser sua, ser sua,
no perfeito equilíbrio
de sua vida aberta:
una e atenta a si mesma,
suavíssima pantera.

Marly de Oliveira (1935-2007)

29 de março de 2017

Rogo

John Singer Sargent
Não, não rezes por mim.
Nenhum deus me perdoa a humanidade
Vim sem vontade
E vou desesperado
Mas assinei a vida que vivi
Doeu-me o que sofri
Fui sempre o senhorio do meu fado.

Por isso, quero a morte que mereço.
A morte natural,
Solitária e maldita
De quem não acredita
Em nenhuma oração
De salvação
De quem sabe que nunca ressuscita.

Miguel Torga (1907-1995)

28 de março de 2017

Canção do veludo côtelé

John Singer Sargent
O dia dizia: “Tudo o que sofre me acompanha, agarra-se a mim, quer ser feliz. Testemunhas da minha comédia, segurai meu pé alegre. Receio o meio-dia e a sua seta merecida. Não há nada que nos favoreça aos seus olhos. Se o meu desaparecimento anunciar a vossa grandeza, as águas frias do Verão apenas me hão de receber melhor.”
A noite dizia: “Os que me ofendem morrem jovens. Como não os amar? Pradaria de todos os meus instantes, não podem pisar-me. A sua viagem é a minha viagem e eu permaneço obscuridade.”
Havia entre os dois um mal que os despedaçava. O vento ia de um ao outro; o vento ou nada, as fraldas do rude estofo e a avalanche das montanhas, ou nada.
René Char (1907-1988)
Tradução: Margarida Vale de Gato

27 de março de 2017

País sem fronteiras

Marie-François Firmin-Girard
Ó Tu que remas,
qual o nome deste grande mar?
A água azul, de tão azul, tingiu meus olhos,
a água azul tingiu meus sonhos.

Perdi o rumo das enseadas
e o contorno dos mil países

Não quero caminho, não quero norte,
não quero agulhas de navegante.

Sei de terras lá muito longe,
de um palácio sem morador.
Sei de uma estrada — de onde vem?
que é longa e reta - para onde vai?

O tu que remas tão devagar,
As horas caem das tuas mãos.

Há luzes mortas nos horizontes
e estranho apelo para a solidão.

Carminha Gouthier

26 de março de 2017

Furto de presença

Thomas Eakins
Furto de presença ensaias
ao raio dos meus olhares
temendo de ser escravo,
e escravo já, de tuas ânsias.

Pois te cercou meu sorriso
e seguiu-te minha palavra,
tua indecisão e medo
foram-me as melhores armas.

Por sobre duras ausências
e excursões mui prolongadas,
eras mais meu ao fugir-me,
porque já em ti me levavas.

Carmen Toscano (1910-1988)
Tradução: Aurélio Buarque de Holanda

25 de março de 2017

O amor é um gênero literário

William Stephen Coleman
Pensei em escrever-te como se não existisse
ainda o feminismo. Como se o nosso tempo
não fosse o fim do século, nem ninguém conhecesse
a igualdade dos sexos, nem causasse estranheza
ouvir que te dissesse que o amor que eu sinto
por ti nunca poderias senti-lo tu por ninguém.

Talvez o amor seja apenas literatura
que muda com o tempo. Eu suponho que nós
não amamos como Shakespeare, nem Shakespeare como Dante,
nem Dante como Safo, nem Safo como ninguém.

Carlos Martínez Aguirre
Tradução: Joaquim Manuel Magalhães

Hemeras (os dias)

Adrienne Stein
Estas filhas do Tempo, hipócritas Hemeras,
Como um derviz descalço, encapuçado e mudo,
Marchando uma após a outra, em sucessões infindas,
Trazem cheias as mãos de grinaldas e feixes:
Com miríficos dons, fausto ou doiradas messes,
Brindam a todos nós – segundo a nossa escolha.
Em meu jardim fechado, as vi passar com pompa;
Mas, esquecido então dos meus sonhos de outrora,
Contentei-me com ter alguns pomos...Hemera,
Sem murmurar palavra, a seguir, foi passando,
E percebi – já tarde – o seu riso de mofa.

Ralph Waldo Emerson (1803-1882)
Tradução: Pedro de Aratanha

24 de março de 2017

Da Terra ao Céu

Corrado Giaquinto
Ser raiz é ser bom. É viver sem vaidade,
É sofrer sem blasfêmia, é morrer sem terror.
É combater o mal, sabendo que há de
Sucumbir ao furor da tempestade,
Para ressuscitar, um dia, triunfador.

Todo aquele que luta, abraçando o partido
Da Virtude, e cultuando a Justiça e o Dever,
E, passada a peleja, combalido,
À terra volta, odiado e encarnecido –
É Raiz: algum tempo há de reverdecer.

Todo aquele que deixa os mundanos tumultos
Pela meditação – misterioso crisol –
E leis formula à ciência, e dos estultos
Tem, no transe final, mofas e insultos –
É Raiz: subirá para a glória do sol.

Todo aquele que, insone e em febre, as noites vela,
Na tortura inaudita e suprema do Ideal,
E, no verso, no mármore, na tela,
Na pauta vibra a perfeição revela –
É Raiz: há de ser, ao Sonho, pedestal.

Todo aquele que sente o indizível encanto
Dessa alucinação que é ser amado e amar,
E sofre, e quer o próprio mal, contanto
Que o olhar querido não se afogue em pranto –
É Raiz: errará, feito perfume, a ar.

Todo aquele que, em face à indigência, que implora,
Detém o passo, escuta o rogo, estende a mão,
E. consolando, comovido embora,
Num furtivo carinho se demora –
É Raiz: será sombra, almas o bendirão.

Todo aquele, afinal, que, injuriado, abençoa
A dor de cada insulto e de cada labéu,
E, a sofrer e a sangrar, cinge a coroa
De todos os martírios – mas perdoa –
É Raiz: será fronde, há de chegar ao céu.

Heitor Lima (1887-1945)

23 de março de 2017

Não acredites na guerra

Paul Cézanne
Não acredite na guerra, meu rapaz,
não acredites é muito triste,
é triste, meu rapaz,
como um par de botas que apertam.

O teu cavalo é rápido,
não serve para nada,
estás exposto como na palma da mão,
és o único alvo das balas.

Bulat Okudjava (1924-1997)
Tradução: Manuel de Seabra

22 de março de 2017

A viagem vermelha

Vincent van Gogh
Estende-te sobre o meu braço
oh meu ramo de lírios
só a mim, a mim só pertence
este mundo azul e liso
sobre o mar dos teus olhos
o amor é a barca de Ys

Guiam-me as estrelas
para a luz de ouro
de um esplêndido universo
engrandecido pela aurora
entre teus seios altas paragens
sigo a alegria do corpo

No rio das tempestades
estende-te, corre nelas
boca a boca
fogo sobre fogo
oh tu, meu vinho sem juízo
oh espírito amoroso

E depois, quando imersos
desta viagem embriagada,
Eis-nos imutáveis.
nossos fogos têm mais raiva
nosso espírito surpreso
de desejos e confidências.

Fawzi Kamal
Tradução: Adalberto Alves

21 de março de 2017

LXXIX

Eugen von Blaas
Se o fim é igual ao começo e no meio
deste décimo quarto ano inda suspiro,
daquela aura não fujo mais, receio,
pois só cresce o desejo em que me firo.

Em que pensares de Amor não mais me enleio,
sob o seu jogo já não mais respiro,
mas me governa e me parte ao meio:
culpa dos olhos que me põe em giro.

Um dia e outro assim eu vou seguindo
tão silencioso, que só eu percebo
e aquela que, olhando, me esboroa.

A custo até aqui a alma distingo,
e não sei do amanhã o que recebo
pois a morte se apressa e a vida voa.

Francesco Petrarca (1304-1374)
Tradução: José Clemente Pozenato

20 de março de 2017

O Tygre

Jean-Léon Gérôme
Tygre, Tygre, em fogo ardendo
Nas florestas, noite adentro;
Que olho ou mão imortal poderia
Forjar temível simetria?

Em que abismo ou céu distantes
Ardiam teus olhos flamantes?
Em que asas voar ele clama?
Que mão ousa tomar a chama?

E que ombro, que maestria
Teu coração amoldaria?
E ao pulsar teu coração,
Que horríveis pés? Que horrível mão?

Com que malho? Com que corrente?
Que fornalha fundiu tua mente?
Em que bigorna? Que mão mordaz
Agarra o terror com a tenaz?

Quando, no céu, estrelas baixaram
Suas lanças, e então choraram;
Ele sorriu ao que inventou?
Quem criou o Cordeiro te criou?

Tygre, Tygre, em fogo ardendo
Nas florestas, noite adentro;
Que olho ou mão imortal ousaria
Forjar temível simetria?

William Blake (1757-1827)
Tradução: Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho

19 de março de 2017

Pão Seco

Edgar Degas
Igual a viver numa terra de tragédia é
Viver num tempo de tragédia.
Olhai agora os rochedos montanhosos e inclinados
E o rio que força o seu caminho sobre pedras,
Olhai os casebres daqueles que vivem nesta terra.

Aquilo foi o que eu pintei por trás do pão seco,
Os rochedos nem sequer tocados de neve,
Os pinheiros ao longo do rio e homens tisnados pelo vento,
Escuros como o pão, pensando em pássaros
Vindos de países escaldantes e litorais de areia escura,

Pássaros que vieram como água suja em ondas,
Voando por cima dos rochedos, voando por cima do céu,
Como se o céu fosse uma corrente que os trouxesse,
Espalhando-os como se espalham as ondas pela praia,
Uma após outra, tornando nuas as montanhas.

Era um bater de tambores o que eu ouvi
Era a fome, eram os famintos que gritavam
E as ondas, as ondas eram soldados movendo-se,
Marchando, marchando num tempo de tragédia,
Abaixo de mim, no asfalto, sob as árvores.

Eram soldados que seguiam marchando nos rochedos
E os pássaros chegavam ainda, chegavam em bandos marítimos,
Porque era primavera e os pássaros tinham que chegar.
Sem dúvida que os soldados tinham que marchar
E que os tambores tinham que rufar, rufar, rufar.

Wallace Stevens (1879-1955)
Tradução: Maria Andersen de Sousa

18 de março de 2017

Panteísmo

Akseli Gallen-Kallela
Eu não o disse nem a vós, estrelas
Que velais, nem a vós, onividente
Sol! O seu nome, flor das coisas belas,
No meu tácito peito ecoou somente.

Mas uma das estrelas à outra conta
O meu segredo, ó noite, à sombra tua,
Ao que sorri o sol quando tramonta
Nos seus colóquios com a branca lua!

No outeiro umbroso, na planície quieta,
Sussurra-o cada arbusto a cada flor;
Cantam, no voo, as aves: “Triste poeta,
Os doces sonhos revelou-te Amor”.

Jamais o disse e, em alta consonância,
A terra, o céu, o amado nome chama;
E das acácias à sutil fragrância
Murmura-me o Grão Todo: “Ela, ela te ama!”
(Rimas Novas)

Giosuè Carducci (1835-1907)
Tradução: C. Tavares Bastos

17 de março de 2017

Antonieta

Francine Van Hove
Esta criança formosa
Tem um sorriso argentino,
Como o gorjeio divino
Que solta uma ave saudosa.

Muito inocente e mimosa,
Semelha um lírio franzino,
No rostinho pequenino
Guarda uma boca de rosa.

Se fala, a voz adorada
É como uma harpa encantada
Que os hinos de Além encerra,

Esta criança, Senhor!
É um mimo de teu amor,
Um anjo descido à terra.

Auta de Souza (1876-1901)

16 de março de 2017

Picture

Ferdinand Hodler
A vida desfeita
como a cama do hotel que abandonas de manhã
À espera de alguém que, distraído, mascando chiclete,
lhe ponha lençóis lavados,
esconda o pó debaixo do tapete
e procure roubar-te algo de valor.

Uma emoção infiltra-se nesta casa
como um ladrão que procura forçar todas as portas
e só encontrou por fechar,
mesmo completamente aberta,
a minha,
que não escondia nada de nada.

Jesús Llorente
Tradução: Joaquim Manuel Magalhães

15 de março de 2017

Câmara de ecos

Ferdinand Hodler
Cresci sob um teto sossegado,
meu sonho era um pequenino sonho meu.
Na ciência dos cuidados fui treinado.

Agora, entre meu ser e o ser alheio
a linha de fronteira se rompeu.

Waly Salomão (1943-2003)

Velhice

Pablo Picasso
«Quem é?» -
«A velhice. Vim ter contigo.»
«Volta mais tarde. Estou ocupado.
Tenho coisas que fazer!»
Escrevi.
Telefonei.
Estraguei uma omeleta.
Depois abri a porta,
mas não estava lá ninguém.
Talvez uma partida dos amigos.
Ou talvez não ouvisse bem o nome.
Não foi a velhice -
mas a maturidade que aqui esteve,
não pôde esperar,
suspirou
e partiu!

[Ievgueni Ievtuchenko]

14 de março de 2017

Aos nossos grandes poetas

William-Adolphe Bouguereau - Flora and Zephyr
As margens do Ganges ouviram do deus da alegria
O triunfo, quando do Indo conquistando tudo
Vinha o jovem Baco, com vinho
Sagrado acordando os povos do sono.

Oh acordai-os, Poetas! Acordai-os do sono também,
Os que inda dormem, dai-nos as leis, dai-nos
A vida, triunfai, Heróis! Só vós
Tendes direito de conquista, como Baco.

Friedrich Hölderlin (1770-1843)
Tradução: Paulo Quintela

Momentos puros

Wendy Ng
Momentos puros – quando vens sobre mim – ó estás aqui agora,
Dá-me agora prazeres libidinosos tão-somente,
Dá-me a poção de minhas paixões, dá-me a vida áspera e viçosa,
Hoje eu me consorcio aos amores da Natureza, esta noite também,
Estou com aqueles que acreditam em delícias licenciosas,
compartilho das orgias dos jovens à meia-noite,
Danço com os dançarinos e bebo com os beberrões,
Os ecos fazemos soar com nossos gritos indecentes, escolho uma
pessoa rasteira para ser o meu amigo mais querido,
Ele há de ser sem lei, rude, analfabeto, há de ser alguém condenado
pelos outros por seus feitos,
Não mais estarei apartado, por que deveria eu me exilar de meus
companheiros?
Ó tu, que evitas as pessoas, pelo menos eu não te evito,
Avanço para o centro de onde estás, serei teu poeta,
Serei mais para ti do que para qualquer outro.

Walt Whitman (1819-1892)
Tradução: Luciano Alves

13 de março de 2017

Fuga do mundo

Leonid Afremov
Vou-me embora pra lá de além,
De volta a mim,
Jacinto em flor terçã
No temporão de minha alma,
Quiçá já tarde — tarde demais!
Ah, vou morrendo entre vocês,
Que me sufocam com vocês!
Lios queria que me atassem —
Num vira e mexe que findasse!
Desconcertante,
Equívoco por um instante,
Para que enfim eu escapasse
No rumo de mim.

Else Lasker-Schüler (1869-1945)
Tradução: Mauricio Mendonça Cardozo

12 de março de 2017

Criação

Alexandre Reider
Escrevo em terramotos,
E se algumas palavras
Deslizam para longe
A culpa é só da crosta da terra
Pela sua falta de estabilidade.

Nem sabes
Quando se abre um vulcão sob a tua mesa,
E depois de um dia de trabalho
Podes assinar diretamente na cinza.

Todas as coisas mudam
De lugar,
A lâmpada do teto chega-me abaixo do queixo.
A montanha no horizonte entrou-me na boca,
Mordaça de que os restos
Vão ainda ser cuspidos
Pelos meus descendentes até à sétima geração.

A folhagem do cimo das árvores
Mudou-se para dentro do solo
Com medo dos terremotos,

Muitos dos meus antepassados
Mudaram-se para dentro do solo
Com medo dos terremotos.

Só eu continuo a tentar ligar,
Como carris após o descarrilamento
Estas duas palavras,

Que fogem, uma para um lado
Outra para o outro,
Enlouquecidas de terror.

Marin Sorescu (1936-1996)
Tradução: Egito Gonçalves