2 de fevereiro de 2017

Tragédia no Cine Rink

Desabamento deixa 40 mortos e mais de 400 feridos
Domingo, Tarde de 16 e setembro de 1951. As atenções da cidade estavam voltadas para a partida entre Ponte Preta e XV de Novembro de Piracicaba no Estádio Moises Lucarelli. No intervalo da partida, o sistema de som anunciou o pedido de comparecimento aos portões de saída de médicos que estivessem no estádio. Ainda não se falava no acidente, como forma de se evitar um previsível tumulto na saída dos torcedores. Somente no final da partida é que os alto falantes informaram sobre a destruição do cinema.
Uma tragédia ocorre no Cine Rink, localizado na esquina da Rua Barão de Jaguara com a Rua Conceição. Às quinze horas e dezoito minutos, quando ocorre a matinê dupla em que são exibidos os filmes “Os Salteadores” e “Amar foi minha ruina”, uma das vigas que sustenta o meio do telhado da sala de cinema se desprende e cai sobre o estuque, um forro feito com cimento e tela. O peso é tanto que o estuque não é capaz de suportá-lo, o que desencadeia a queda de uma avalanche de madeiras, pregos e telhas sobre centenas de pessoas, atingindo, sobretudo, quem está se sentado nas fileiras do meio. Como uma lâmina afiada, as madeiras que caem causam inúmeros ferimentos nas pessoas atingidas, desfigurando rostos, arrancando peles, cortando tudo o que está em seu caminho. As vítimas são colocadas na calçada, em frente ao cinema. Algumas são levadas à Farmácia São Luís, perto do local. Muitos taxistas se solidarizam e levam os feridos até os hospitais próximos, enquanto as ambulâncias chegam. É pedido auxílio os médicos presentes no estádio Moisés Lucarelli, onde jogam Ponte Preta e XV de Piracicaba. O resultado da tragédia: 25 pessoas morrem, dentre as quais, muitas crianças. São eles: Adir Eglesias Duran, Agenor Arantes, Aguinaldo Xavier de Souza Filho, Alaor Pereira Campos, Ana Alves dos Reis, Antonio Benedito Rocha, Antonio Arruda Ribas, Augusto Cesar Massaini, Benedito Wilson Franco, Carlos Rudge Ramos, Carlos Ferraz Lacerda, Carlos Baltazar Filho, Consuelo Moreno, Cid Morais Júnior, Flora Castione Oliva, Hiroshi Nishimura, Izaura Alves, Myrce Campos Graça, Olga Tereza Finelli Monteiro, Roberto da Silva Ferreira, Salete Lopes de Moraes, Tereza Martins Moreno, Terezinha Maria Nogueira e Waldemar Cazassa. Um nome não consta nesta lista. Posteriormente morrem mais 15 pessoas. Também são contados mais de 400 feridos. Inaugurado em 1878, o Rink começou na verdade suas atividades de 1878, quando era um local de lazer com um rinque de patinação, passatempo preferido da elite da época. Depois, o prédio serviu para apresentações de circo, bailes e teatro, até se transformar em uma sala de cinema com capacidade para 1200 pessoas.
A tragédia do Rink foi tema de projeto experimental de alunos do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Em 1998, os jornalistas Christiane Ribeiro, Crislaine Coscarelli e Samuel Leite escreveram A Última Sessão, livro-reportagem com orientação do professor Marcel Cheida, documento precioso para quem quer conhecer detalhes daquele dia que abalou Campinas. Confira alguns trechos:
O luto predominava em toda a cidade. A população de 130 mil habitantes vestia-se de negro, e o céu, de cinza.
- As famílias velaram durante toda a noite os corpos dos parentes na própria casa e, ao amanhecer, se preparavam para o enterro.
- No dia 21 de setembro de 1951, chegou às mãos da administração de cooperação técnica, assinado pelo então prefeito de Campinas, Miguel Vicente Cury, que solicitava a ajuda dos peritos da USP para apurar as causas do desastre.
- No documento, a equipe creditou o desastre à queda de uma das tesouras, responsável direta pelo suporte do telhado. Esse desabamento teria carregado parte da estrutura central, fato que causou a morte instantânea de grande parte das vítimas.
- Passado tanto tempo, muitas dúvidas ainda restam acerca da real causa do desabamento. Fatores como informações desencontradas, a falta de esclarecimento oferecido à população, aliados à dor, à tristeza e às muitas lágrimas, fizeram desses anos todos um pesadelo na vida de muitas famílias.

Fonte:
Correio Popular: ( O dia em que o Rink desabou )

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