11 de fevereiro de 2017

De todos os vazios...

Monica Barengo
De todos os vazios entre os tempos,
de todas as distâncias entre as filas de soldados,
das brechas do tapume,
das portas que fechamos mal, das mãos que não juntamos bem,
do vazio entre os nossos corpos que não apertamos
um contra o outro —
nasce uma extensão vasta que se desdobra,
uma planície, um deserto,
por onde nossa alma irá sem esperança, depois da morte.

Yehuda Amichai (1924-2000)
Tradução: Cecília Meireles

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