5 de janeiro de 2017

São tantos deuses, são tantas crenças

Paul Klee
São tantos deuses, são tantas crenças,
Tantos caminhos, tão sinuosos,
Mas só a arte de ser bondosos
É que nos falta em nosso planeta.
Eu sou a voz dos que não têm voz;
Por mim os mudos hão de falar;
Até o mundo tão surdo ouvir
O grito dos fracos, dos sem lugar.

Das ruas, das gaiolas, dos cercados,
Das selvas e estábulos, os gemidos
Vindos dos meus irmãos revelam o crime
Dos poderosos contra os desvalidos
É o amor a genuína religião,
E a mais sublime lei é o amor;
E o toque do tempo fará morrer
Tudo o que se criar no desamor.
Que se envergonhem as mães mortais
Que jamais pensaram em ensinar
A tristeza que há nos olhos mudos,
A tristeza que não pode falar.

Seja o pardal, homem — rei —que seja
Foram criados por um poder apenas;
O deus do todo, alma viva concedeu
A tudo o que tem pelo e que tem penas
E sou o protetor do meu irmão,
E seu combate, este eu vou travar;
De bicho e ave, as palavras eu direi
Até que o mundo venha a se aprumar.

Sim, somos a voz dos que não têm voz;
Por nós, os mudos hão de falar;
Até o mundo tão surdo ouvir
O grito dos fracos, dos sem lugar.

Ella Wheeler Wilcox (1850-1919)

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