9 de janeiro de 2017

Rios palpitantes por dentro do cristal

Charles Edward Wilson
Rios palpitantes por dentro do cristal,
A montanha assomando na bruma, mar enfurecido,
E tu com a bola de cristal nas mãos,
Sentada num trono enquanto dormes,
- Deus do céu! -, tu pertences-me.
Acordas para transfigurar
As palavras de todos os dias,
E o teu discorrer transbordante
De poder revela na palavra «tu»
O seu novo sentido: significa «rei».
Simples objetos transfigurados,
Tudo – a bacia, o jarro -, tudo
Uma vez de sentinela entre nós
Se forma límpido, laminar e firme.

Arseny Tarkovsky (1907-1989)
Tradução: Paulo da Costa Domingos

Nenhum comentário: