30 de janeiro de 2017

As melhores Utopias da Literatura

Abraham Ortelius
A utopia no século XXI está, infelizmente, muito próxima do significado dos radicais gregos "não" e "lugar" que originaram a expressão "não-lugar" ou, mais precisamente, "lugar que não existe". A utopia representa portanto uma civilização ideal que possa realizar o sonho de uma sociedade sem diferenças, uma meta difícil de ser atingida em um mundo cada vez mais dividido pelos conflitos religiosos, econômicos e políticos.
Autor:
Trecho
Platão - A República (380 a.c.)
A obra pode ser incluída como utopia por registrar os diálogos de Sócrates relativos à diversos temas filosóficos e sociais, assim como condutas políticas para administração de uma cidade, independente dos interesses particulares e visando o bem estar coletivo da sociedade (um tema ainda bem atual e que explica porque Sócrates acabou condenado à morte ao contrariar os governantes da época).
Thomas More - Utopia (1516)
Thomas More (1478-1535) imaginou uma ilha chamada Utopia, certamente influenciado por relatos sobre as descobertas da época no continente americano. Nesta ilha-reino habitaria uma sociedade sem propriedade privada, livre de imposições religiosas ou do Rei. Devido à sua defesa pelos ideais de liberdade, More foi condenado por traição e, mais tarde, à morte por se recusar a aceitar o novo matrimônio de Henrique VIII.
Tommaso Campanell
A Cidade do Sol (1602
Esta obra foi escrita durante o período de 27 anos em que o frei dominiciano Tommaso Campanella (1568-1639) esteve preso em Nápoles, sob a acusação de heresia. O autor foi certamente influenciado por obras como Utopia e A República ao descrever o que seria uma cidade ideal e o sonho utópico de uma sociedade justa.
Francis Bacon - Nova Atlântida (1624)
Francis Bacon (1561-1626) atuou como político e filósofo, sendo considerado como o fundador da ciência moderna ao se dedicar à metodologia científica, norteada pelo raciocínio indutivo e o empirismo. Em Nova Atlântida, uma obra que ficou incompleta, é apresentada uma sociedade com direitos e deveres iguais e discutida a importância da natureza, um tema também muito atual.
Voltaire - Cândido (1758)
Um dos trabalhos satíricos mais marcantes de todos os tempos onde Voltaire (1694-1778), um mestre do sarcasmo, critica com muito bom humor as regalias da nobreza francesa da época e a perseguição religiosa através da Santa Inquisição. Em Cândido, o pobre protagonista segue a filosofia do fictício filósofo Pangloss que afirma que "todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis" em uma utopia cega às avessas e um otimismo absurdo que logo pagaria o seu preço na iminente Revolução.
Jean Jacques Rousseau
- Do Contrato Social (1762)
Segundo a filosofia de Rousseau (1712-1778), o homem seria naturalmente bom, sendo a sociedade, comandada pela política (normalmente corrupta), a culpada pela "degeneração" dele. O contrato social deveria portanto nortear o acordo entre os indivíduos para se criar uma sociedade justa e equilibrada, e só então um Estado. O contrato deveria garantir um pacto e não um status de submissão do povo ao Governo.
Karl Marx - O Capital (1848)
Uma obra importante de Karl Marx (1818 - 1883) e também incompreendida que originalmente pretendia denunciar a desigualdade social entre a burguesia e o proletariado devido à injusta política de produção capitalista, mas que, até hoje, não conseguiu realizar o sonho do socialismo utópico e o equilíbrio entre capital e trabalho assalariado.
Samuel Buttler - Erewhon (1872)
O inglês Samuel Buttler (1835-1902) publicou de forma anônima este romance que tem o nome de um país fictício descoberto pelo protagonista e é uma sátira à sociedade vitoriana da época. O autor trabalhou na Nova Zelândia como um criador de ovelhas e utilizou suas memórias para criar Erewhon, assim como também foi influenciado pelo trabalho de Jonathan Swift em As Viagens de Gulliver de 1726 (outra importante sátira utópica).
William Morris
- Notícias de Lugar Nenhum (1890)
William Morris (1834-1896) era pintor e escritor e foi um dos fundadores do movimento socialista na Inglaterra. Ele planejava desenvolver belos objetos a preços acessíveis, ou mesmo gratuitamente. Em Notícias de Lugar Nenhum ele descreve uma sociedade utópica em 2012 onde a natureza é preservada e todos trabalham para o bem comum.
H. G. Wells
- A Utopia Moderna (1905)
H. G. Wells (1866-1946) é conhecido como o pai da ficção científica e escreveu livros que foram exaustivamente adaptados para o cinema devido à sua originalidade, A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos são exemplos de romances que já fazem parte da nossa herança cultural popular. Neste livro, um distante planeta serve como propósito para uma utopia pós-moderna.
James Matthew Barrie
- Peter e Wendy (1911)
Não consigo imaginar utopia melhor do que a Terra do Nunca imaginada neste clássico da literatura infantil por James Matthew Barrie (1860-1937), um lugar onde Peter Pan e seus amigos podiam viver para sempre como crianças sem envelhecer jamais.
Charlotte Perkins Gilman
- Herland (1915)
Uma utopia essencialmente feminina onde a autora, Charlotte Perkins Gilman (1860-1935) imaginou uma sociedade isolada, composta somente por mulheres que se reproduziam através de um processo de partenogênese (reprodução assexuada). Como resultado uma sociedade ideal, livre de guerras, conflitos e dominação (difícil de acreditar, não é mesmo?). O livro só foi publicado em 1979.
James Hilton
- Horizonte Perdido (1933)
Uma das melhores representações de paraíso na terra criadas pela literatura por James Hilton (1900-1954). Um grupo de pessoas, fugindo da guerra, é sequestrado e mantido em uma distante montanha do Tibete, chamada de Shangri-lá. Mais um grande sucesso de adaptação, por duas vezes (1937 e 1973), para o cinema.
Austin Tappan Wright
- Islandia (1946)
Um país imaginário no qual Austin Tappan Wright (1883-1931) trabalhou durante toda a vida como passatempo. Após sua morte foi descoberta a detalhada história de Islandia com geografia, genealogia, língua e cultura próprias. O livro foi publicado por sua esposa e filha postumamente em 1946.
Arthur C. Clark
- O Fim da Infância (1953)
Um clássico da ficção científica escrito por Arthur C. Clark (1917-2008), autor também de 2001: uma Odisseia no Espaço. Em O Fim da Infância, ocorre uma invasão alienígena pacífica da Terra que passa a ser governada pelos misteriosos invasores. O planeta passa por um período de paz e prosperidade, será que a utopia vem do espaço?
Aldous Huxley - A Ilha (1962)
Último livro de Aldous Huxley (1894-1963) tem como enredo a ilha fictícia de Pala onde vive uma sociedade isolada do mundo e controlada por uma seita formada por religiões orientais e ciência. Os habitantes desta sociedade tem uma existência feliz e integrada com a natureza, uma verdadeira utopia.
Ernest Callenbach - Ecotopia (1975)
Ernest Callenbach (1929-2012) imaginou um romance descrito como uma das primeiras utopias ecológicas que influenciou os movimentos de contracultura e movimentos verdes em todo o mundo. O enredo é ambientado em 1999 (25 anos no futuro de 1974). O novo país Ecotopia é formado pela Carolina do Norte, Oregon e Washington.

Fonte:
Mundo de K: ( As melhores Utopias da Literatura )

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