22 de janeiro de 2017

Andrômeda

Gustave Doré
No meu peito a ferida abre de novo
quando as estrelas baixam e ficam parentes do meu
corpo
quando cai o silêncio debaixo dos pés dos homens.

Estas pedras que soçobram dentro do tempo até
onde vão arrastar-me?
O mar o mar quem poderá esgotá-lo?
Vejo as mãos acenarem todas as madrugadas ao abutre e
ao falcão
atada ao rochedo que pela dor se tornou meu,
vejo as árvores que respiram a serenidade negra
dos mortos
e de seguida os sorrisos, que não avançam, das estátuas.

Giórgos Seféris (1900-1971)
Tradução: Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratisinis

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