30 de novembro de 2016

Oh! não, não jures...

Vincent Van Gogh
Oh! não, não jures; basta que me abraces...
Não creio em vãos protestos femininos.
Tua voz é suave...Inda mais suave
É o teu beijo, o beijo que te roubei.
Eu te possuo... e sei que falso canto
É a voz...Tua voz...

Não! Jura-me querida,
Ainda! ainda! sempre! amor protesta!
Eu creio em ti! Dize-me uma só palavra!
Contra o teu peito a fronte repousando
Eu sou feliz e creio na ventura!
Creio que amas; creio que hás de amar
Além da morte...sempre...eternamente.

Heinrich Heine (1797-1856)
Tradução: Raul Pompéia

Vestibular Fuvest 2017

A adoção do cardápio indígena introduziu nas cozinhas e zonas de serviço das moradas brasileiras equipamentos desconhecidos no Reino. Instalou nos alpendres roceiros a prensa de espremer mandioca ralada para farinha. Nos inventários paulistas é comum a menção de tal fato. No inventário de Pedro Nunes, por exemplo, efetuado em 1623, fala-se num sítio nas bandas do Ipiranga “com seu alpendre e duas camarinhas no dito alpendre com a prensa no dito sítio” que deveria comprimir nos tipitis toda a massa proveniente do mandiocal também inventariado. Mas a farinha não exigia somente a prensa – pedia, também, raladores, cochos de lavagem e forno ou fogão. Era normal, então, a casa de fazer farinha, no quintal, ao lado dos telheiros e próxima à cozinha.
Traduz corretamente uma relação espacial expressa
no texto o que se encontra em:

A prensa é paralela aos tipitis.
A casa de fazer farinha é adjacente aos telheiros.
As duas camarinhas são transversais à cozinha.
O mandiocal e o Ipiranga são equidistantes do sítio.

Alternativa B
Conforme o texto: “Era normal, então, a casa de fazer farinha, no quintal, ao lado dos telheiros e próxima à cozinha.”

29 de novembro de 2016

Vestibular Fuvest 2017

Evidentemente, não se pode esperar que Dostoiévski seja traduzido por outro Dostoiévski, mas desde que o tradutor procure penetrar nas peculiaridades da linguagem primeira, aplique-se com afinco e faça com que sua criatividade orientada pelo original permita, paradoxalmente, afastar-se do texto para ficar mais próximo deste, um passo importante será dado. Deixando de lado a fidelidade mecânica, frase por frase, tratando o original como um conjunto de blocos a serem transpostos, e transgredindo sem receio, quando necessário, as normas do “escrever bem”, o tradutor poderá trazê-lo com boa margem de fidelidade para a língua com a qual está trabalhando.
Boris Schnaiderman, Dostoiévski Prosa Poesia.
De acordo com o texto, a boa tradução precisa:

Evitar a transposição fiel dos conteúdos do texto original.
Desconsiderar as características da linguagem primeira para poder atingir a língua de chegada.
Desviar-se da norma-padrão tanto da língua original quanto da língua de chegada.
Buscar, na língua de chegada, soluções que correspondam ao texto original.

Alternativa D
A fim de “penetrar nas peculiaridades da linguagem primeira”, é necessário “afastar-se do texto para ficar mais próximo deste”, ou seja, diante das especificidades de cada idioma, é preciso buscar soluções que comuniquem a mensagem, de maneira que o interlocutor a compreenda de forma completa, fiel e dentro de sua cultura.

Eu me perdi

Frederick Arthur Bridgman
Eu me perdi na sordidez de um mundo
Onde era preciso ser
Policia agiota fariseu
Ou cocote

Eu me perdi na sordidez do mundo
Eu em salvei na limpidez da terra

Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Depois vieste tu

Paul Gauguin
Depois vieste tu
(tu quem?)
e meteste nos sonhos, no mel, nos cravos
as pedras que piso.
E apedrejaste a morte
com o teu sorriso.

José Gomes Ferreira (1900-1985)

28 de novembro de 2016

Matem-me, fiéis amigos

Jake Baddeley
Matem-me, fiéis amigos
Porque em ser morto está a minha vida

Amor é o que resta
na frente do teu Amado
Quando estás despido de todos os atributos
Então Seus atributos se tornam tuas qualidades

Entre mim e Ti, apenas eu estou
Tire o mim, e só Tu ficarás

Mansur al-Hallaj (858-922)
Mestre Sufista de origem Persa

A Saga da Família Buarque de Hollanda

Chico Buarque é o seu representante mais famoso. Mas a família reúne outros nomes de importância na área intelectual e política do Brasil.
O compositor Chico Buarque de Hollanda e seus olhos cor de ardósia nunca existiriam se o corajoso Arnau de Hol-landa não tivesse embarcado na caravela que o trouxe de Portugal para o Brasil, em 1535. O marujo foi o marco inicial da família do compositor. Personalidades como o historiador Sérgio, o filólogo Aurélio e tantos outros Buarque de Hollanda também devem sua existência ao tripulante da nau que Duarte Coelho comandou para ocupar sua capitania. A descrição dessa linhagem, dos tempos coloniais até hoje, está em Buarque – uma família brasileira, de Bartolomeu Buarque de Holanda (Casa da Palavra). São dois livros (um ensaio histórico-genealógico de 1.200 páginas e um romance de 200 páginas), resultado da pesquisa de 24 anos em mais de 15 mil documentos. Enquanto conta a saga dessa família repleta de personalidades importantes, o autor vai revelando aspectos pouco conhecidos da história do Brasil. A genealogia ganha ares romanescos e vice-versa. O padre cujo amor à sinhazinha o leva a largar a batina, o senhor de engenho que se casa com a escrava e o ministro que agoniza sob os olhos do imperador, são alguns dos casos relatados. Era uma vez um Buarque, um dentre vários que já existiram e outros tantos que ainda estariam por vir. Era 1797 e, naquela ocasião, José Ignácio Buarque sai para pescar no mar de Maragogi, próximo de Recife. Um infortúnio das águas e dos ventos faz com que o barco vire e Ignácio fique prestes a se afogar. Se as águas tivessem vencido, tragando a vida de Ignácio, seria o fim de uma longa árvore genealógica, que privaria o Brasil de um número imenso de homens e mulheres que fizeram história como desembargadores, juízes, historiadores, pesquisadores e, claro, o músico.
Ignácio sobreviveu e deu origem a dezenas de descendentes, sendo que um em especial preocupou-se em registrar a história de seu antepassado, Bartolomeu Buarque de Holanda, autor do livro “Buarque – Uma Família Brasileira”, lançado este ano. Trata-se de um estudo detalhado sobre a origem da família “Buarque de Holanda”, desde a migração das primeiras famílias que carregavam o sobrenome Buarque. A história do afogamento foi contada a Bartolomeu ainda criança e, segundo ele, este foi o estopim de sua pesquisa.
“Lembro que meu pai contou essa história e eu fiquei fascinado. Ele dizia que esse quase foi o fim da nossa família, afinal, ninguém teria nascido se o Ignácio tivesse morrido. A partir daí, fiquei curioso sobre a vida dele e isso acabou me levando para histórias paralelas, que me levaram mais longe ainda”, comenta Bartolomeu, em entrevista por telefone. Bartolomeu Buarque é economista, mas a profissão não impediu sua paixão pela história da família.
Sua pesquisa data do início da década de 70, coletando depoimentos e materiais em cartórios de todo o país. Em 1992, Bartolomeu ganhou a ajuda de Rosana Delácio e de Yony de Sá Barreto Sampaio, professor do Departamento de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco. Juntos, eles foram responsáveis pela catalogação de 15 mil documentos. Para que a pesquisa não se tornasse maçante e, ao mesmo tempo, representasse boa parte do pensamento da época, Bartolomeu escreveu uma versão romanceada, misturando ficção e fatos históricos. Para os mais curiosos, o livro também tem uma versão “acadêmica”, como a pesquisa pura, detalhada em cerca de 1.200 páginas.
“Optei pelas duas versões justamente para que as pessoas pudessem escolher. O romance mostrará não só a história dos Buarque de Holanda, mas a história cultural das famílias que cruzaram seus nomes com os nossos”, diz Bartolomeu. O berço desta história está no nordeste, no trecho que compreende Alagoas e Recife, onde há registros de que o padre Antônio Buarque Lisboa se apaixonou pela sinhazinha Ana Tereza Lins, na cidade de Porto Calvo (Alagoas). A união, que já não era bem vista na época, gerou Manuel Buarque de Jesus.
“Um dos documentos mais preciosos que encontrei durante a pesquisa foi um pedido de legitimação do Padre Antônio Buarque, que deseja assumir seu filho com Ana Tereza. Naquela época, não era uma coisa tão absurda os padres terem filhos, mas era preciso ter o reconhecimento da Igreja em Portugal”, explica Bartolomeu. O romance, que já está ganhando destaque tanto no Brasil, quanto em Portugal, não chega a ser uma apologia aos “Buarque de Holanda”, ou mesmo uma biografia do famoso Chico Buarque, primo de segundo grau do autor. A obra é uma visão histórica sobre o desenvolvimento de uma das famílias que sempre estiveram presentes em fatos importantes do país.
ESTUDO
A trama começa no século XVI, ainda na colonização do Brasil, e segue até 1881, com a vida do Ministro Buarque de Macedo, conhecido por ter sido um político que não quis enriquecer às custas do povo. “Eu quis mostrar estes personagens que foram marcantes na árvore genealógica da família. Acredito que, entre todas as ramificações, a mais curiosa é a que gerou a união de José Ignácio Buarque de Macedo e a escrava Maria José. Apesar de analfabeta, ela foi a primeira mulher na família a colocar o estudo como prioridade. Curiosamente, seus descendente fizeram jus à dedicação e geraram figuras como Aurélio Buarque, Chico Buarque e Cristóvam Buarque, entre outros”, explica o autor.
Apesar dos Buarque terem se espalhado principalmente pelos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Alagoas, há registros de descendentes no Pará. O desembargador Manoel Buarque da Rocha Pedregulho viveu no Pará no final do século XIX e trabalhou em diversos municípios do interior, como Muaná, Curralinho e São João do Araguaia.
Atualmente, um das herdeiras do nome em Belém é a juíza Filomena Buarque, que esteve presente no lançamento do livro, evento que contou com mais de mil Buarque, Hollanda e curiosos afins. Aliás, aos curiosos, a junção do nome surgiu apenas quando Maria Madalena Paes Barreto de Hollanda Cavalcante casou-se com Manoel Buarque, neto de Maria José (a ex-escrava). A pesquisa de Bartolomeu Buarque é um convite a rever a história do país na perspectiva de duas famílias que estiveram presentes em grandes momentos. A história de “Buarque – Uma Família Brasileira” termina em 1881, no entanto, o autor sabe que há muito mais narrativas que devem ser contadas. “Existem muitas histórias até o dia de hoje e, quem sabe, isso pode se transformar em mais um livro”, diz o autor empolgado.

Fonte:
( Uma Família brasileira )

27 de novembro de 2016

Uma gentileza

Mary Ellenrieder
Estar viva é estar curiosa.
Quando perder interesse pelas coisas
E não estiver mais atenta, álacre
Por fatos, acabo este minguado inquérito.
A morte é a condição do supremo tédio.

Vou deixar que me desintegre
E aí, por saber da paz que a morte traz,
Seria bom seguir convencendo o destino
A ser mais generoso, estender, também,
O privilégio do tédio a todos vocês.

Laura Riding (1901-1991)
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

Massa

Maurice Denis
Ao findar a batalha,
e morto o combatente, dirigiu-se lhe um homem
e lhe disse: - “Não morras; te amo tanto!”
Mas o cadáver continuou morrendo.

Acercaram-se dois e repetiram-lhe:
- “Não nos deixes! Coragem! Volta à vida!”
Mas o cadáver continuou morrendo.

Vieram a ele vinte, cem, mil, quinhentos mil, clamando:
- “Tanto amor, e não poder nada contra a morte!”
Mas o cadáver continuou morrendo.

Já milhões de pessoas o rodeavam,
com a mesma rogativa: - “Fica, irmão!”
Mas o cadáver continuou morrendo.

Rodearam-no, por fim, todos os homens
da Terra: e, vendo-os, o cadáver, triste, emocionado,
a pouco e pouco se incorpora,
abraça o primeiro homem; põe-se a andar...

César Vallejo (1893-1938)
Tradução: Aurélio Buarque de Holanda

26 de novembro de 2016

Para um quase amigo

Johannes Vermeer
Para trás!

Sou pedra.
Você tem de rasgar sua carne para escavar meu peito.

Sou tempestade.
Ninguém relaxa comigo.

Sou montanha.
Moureje até o topo, e vire um solitário.

Sou gelo.
Você tem que congelar para que eu derreta.

Sou mar.
Não vou devolver você.

Se isto o assusta,
Para trás! Para trás!

Ainda que, se você for meu amigo,
Não lhe serei nada disso.

Laura Riding (1901-1991)
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

Augúrios da Inocência

Francois Boucher
Ver um mundo num grão de areia,
E um céu numa flor do campo,
Capturar o infinito na palma da mão
E a eternidade numa hora.

Um tordo rubro engaiolado
Deixa o Céu inteiro irado…
Um cão com dono e esfaimado
Prediz a ruína do estado…
Ao grito da lebre caçada
Da mente, uma fibra é arrancada
Ferida na asa a cotovia,
Um querubim, seu canto silencia…
A cada uivo de lobo e de leão
Uma alma humana encontra a redenção.
O gamo selvagem acalma,
A errar por aí, a nossa alma.
Se gera discórdia o judiado cordeiro,
Perdoa a faca do açougueiro…
A verdade com mau intuito
Supera a mentira de muito.
É justo que assim deva ser:
É do homem a dor e o prazer;
Depois que isso aprendemos a fundo,
Seguros podemos sair pelo mundo…
O inquiridor, que astuto se posta,
Jamais saberá a resposta…
O grito do grilo ou uma charada
À dúvida dão resposta adequada…
Quem duvida daquilo que vê
Jamais crerá, sem como e porquê.
Se duvidassem, sol e lua
Apagariam a luz sua.
Soltar tua ira pode ser um bem,
Mas bem nenhum quando a ira te retém…
Toda manhã e todo entardecer
Alguém para a miséria está a nascer.
Em toda tarde e toda manhã linda
Uns nascem para o doce gozo ainda.
Uns nascem para o doce gozo ainda.
Outros nascem numa noite infinda.
Passamos na mentira a acreditar
Quando não vemos através do olhar,
Que uma noite nos traz e outra deduz
Quando a alma dorme mergulhada em luz.
Deus aparece e Deus é luz amada
Para almas que na noite têm morada,
Mas com a forma humana se anuncia
Para as que vivem nas regiões do dia.

William Blake (1757-1827)
Tradução: Paulo Vizioli

25 de novembro de 2016

A Disciplina do Amor

Carl Vilhelm Holsoe
“Solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos, não tanto por virtude, mas por cálculo. Controlar essa loucura razoável: se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios porque é sabido que os saudáveis não entendem muito de loucura. O jeito é se virar em casa mesmo, sem testemunhas estranhas. Sem despesas.”
- Lygia Fagundes Telles

Nunca Tomar Ninguém como Modelo

Utagawa Kunisada
Para as nossas ações e omissões, não é preciso tomar ninguém como modelo, visto que as situações, as circunstâncias e as relações nunca são as mesmas e porque a diversidade dos carácteres também confere um colorido diverso a cada ação. Desse modo, duo cum faciunt idem, non est idem (quando duas pessoas fazem o mesmo, não é o mesmo). Após ponderação madura e raciocínio sério, temos de agir segundo o nosso caráter. Portanto, também em termos práticos, a originalidade é indispensável; caso contrário, o que se faz não combina com o que se é.
Arthur Schopenhauer (1788-1860)
'Aforismos para a Sabedoria de Vida'.

24 de novembro de 2016

Onde estou?

Yoshitoshi Tsukioka
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado:
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era:
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!

Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)

Anelo

John Adam Houston
Só aos sábios o reveles,
Pois o vulgo zomba logo:
Quero louvar o vivente
Que aspira à morte no fogo.

Na noite – em que te geraram,
Em que geraste – sentiste,
Se calma a luz que alumiava,
Um desconforto bem triste.

Não sofres ficar nas trevas
Onde a sombra se condensa.
E te fascina o desejo
De comunhão mais intensa.

Não te detêm as distâncias,
Ó mariposa! e nas tardes,
Ávida de luz e chama,
Voas para a luz em que ardes.

“Morre e transmuda-te”: enquanto
Não cumpres esse destino,
És sobre a terra sombria
Qual sombrio peregrino.

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Tradução: Manuel Bandeira

23 de novembro de 2016

Os Heróis do bairro

Paul Klee
Pretendem desconhecer os passos do tempo
e se lançam pela rua atrás de uma conquista
na falta de uma carícia.

Benditos na noite são,
aventureiros que reinventam os relógios da ordem,
os mais afortunados,
os mais aventureiros de minha geração,
vítimas do fogo,
sacerdotes da festa,
nós os recordamos
embora os sobreviventes não tenhamos seu heroísmo
.

Alberto Antonio Verón
Tradução: Antonio Miranda

Música de Câmara

Paul-François Quinsac
Não te entristeças, se esse povo
Prefere o vil clamor a ti:
Querida, fica em paz, de novo –
Pode ele desonrar-te, a ti?

Mais triste do que um mar de pranto,
Sua vida, a esvair-se em ais, ofega...
Responde, com orgulho, ao pranto:
Como ele nega, nega.

James Joyce (1882-1941)
Tradução: Alípio Correia de Franca Neto

22 de novembro de 2016

UNICAMP – Vestibular 20/11/2016

Compare as duas ilustrações de Ângelo Agostini (1843-1910) sobre o reconhecimento da República brasileira pela Argentina (fig.1) e pela França (fig.2).
(Ângelo Agostini, Reconhecimento da República brasileira
pela Argentina, em Revista Ilustrada, dez.1889).
(Ângelo Agostini, Reconhecimento da República brasileira
pela França, em Revista Ilustrada, dez.1889).
Assinale a alternativa correta:
  1. () As alegorias expressam visões diferentes sobre o imaginário da República brasileira: na primeira ela é representada com um olhar de proximidade, e, na segunda o olhar expressa admiração, remetendo à visão corrente do gravurista sobre as relações entre Brasil, França e Argentina.
  2. ( ) O reconhecimento da França traz a confraternização entre dois países com tradições políticas muito diferentes, porém unidos pelo constitucionalismo monárquico e posteriormente pelo ideário republicano.
  3. ( ) No reconhecimento da Argentina ao regime republicano brasileiro, as duas repúblicas ocupam a mesma posição, indicando ter a mesma idade de fundação do regime e a similaridade de suas histórias de passado colonial ibérico.
  4. ( ) As duas imagens usam a figura feminina para representar as três repúblicas, característica não usual para a representação artística do ideário republicano, protagonizado por lideranças masculinas.
Resolução:
Observamos que as representações instituem as repúblicas do Brasil, da França e da Argentina em condições diferentes. Enquanto a Argentina e o Brasil estão em pé de igualdade com um olhar firme e no mesmo nível, Brasil e França se olham com admiração e orgulho, com a República brasileira admirando a irmã mais velha, fonte de inspiração.

UNICAMP – Vestibular 20/11/2016

“Hitler considerava que a propaganda sempre deveria ser popular, dirigida às massas, desenvolvida de modo a levar em conta um nível de compreensão dos mais baixos. (...) O essencial da propaganda era atingir o coração das grandes massas, compreender seu mundo maniqueísta, representar seus sentimentos.”
(Lenharo, Nazismo: o triunfo da vontade. São Paulo: Ática,1986, p. 47-48.)

Sobre a propaganda no nazismo, é correto afirmar:
  1. ( ) O nível elementar da propaganda era contraposto às óperas e desfiles suntuosos que o regime nazista promovia.
  2. ( ) A propaganda deveria restringir-se a poucos pontos, como o enaltecimento da superioridade racial e a defesa da democracia.
  3. ( ) O cinema e a produção artística foram as áreas que resistiram ao sistema de propaganda do nazismo na Alemanha do final da década de 1930.
  4. () A propaganda deveria estimular o ódio das massas contra grupos específicos, como os judeus, negros, homossexuais e ciganos.
Resolução:
Desenvolvida sob a liderança de Joseph Goebbels, auxiliado por uma equipe qualificada de diretores, roteiristas e outros profissionais da área, a propaganda nazista baseou-se em alguns preceitos básicos capazes de conquistar a massa e manipulá-la de modo eficiente.
A teoria racial sustentada pelo Nazismo buscava estimular o ódio contra judeus e os grupos "indesejáveis" da sociedade através de uma linguagem simples, grandes manifestações coletivas com profusão de símbolos e elementos nacionalistas, tais como as óperas de Wagner.
Por meio de exposições artísticas, desfiles, filmes e competições esportivas, o preconceito racial e a suposta superioridade ariana eram constantemente exaltadas.

UNICAMP – Vestibular 20/11/2016

Em depoimento, Paulo Freire fala da necessidade de uma tarefa educativa: “trabalhar no sentido de ajudar os homens e as mulheres brasileiras a exercer o direito de poder estar de pé no chão, cavando o chão, fazendo com que o chão produza melhor é um direito e um dever nosso. A educação é uma das chaves para abrir essas portas.
Eu nunca me esqueço de uma frase linda que eu ouvi de um educador, camponês de um grupo de Sem Terra: pela força do nosso trabalho, pela nossa luta, cortamos o arame farpado do latifúndio e entramos nele, mas quando nele chegamos, vimos que havia outros arames farpados, como o arame da nossa ignorância. Então eu percebi que quanto mais inocentes, tanto melhor somos para os donos do mundo. (...) Eu acho que essa é uma tarefa que não é só política, mas também pedagógica. Não há Reforma Agrária sem isso.”
(Adaptado de Roseli Salete Galdart, Pedagogia do Movimento Sem Terra:
escola é mais que escola. São Paulo: Expressão Popular, 2008, p. 172.)

No excerto adaptado que você leu, há menção a outros arames farpados, como “o arame da nossa ignorância”.
Trata-se de uma figura de linguagem para:
  1. ( ) A conquista do direito às terras e à educação que são negadas a todos os trabalhadores.
  2. ( ) A obtenção da chave que abre as portas da educação a todos os brasileiros que não têm terras.
  3. ( ) A promoção de uma conquista da educação que tenha como base a propriedade fundiária.
  4. () A descoberta de que a luta pela posse da terra pressupõe também a conquista da educação.
Resolução:
No excerto adaptado, “o arame da nossa ignorância” é uma expressão figurada para fazer referência à descoberta de que não há conquista efetiva da terra se não houver, antes, a conquista da educação.

21 de novembro de 2016

Uma Alegoria

Ito Yuhan
A primavera às flores de pêssego espalha-se
Em todo o pátio à lua cintilam os salgueiros
Cá em cima estou, no quarto, perfeita maquiagem
recém-vestida, à espera da noite, o silêncio
Ao lago sob as flores de lótus os peixes
Em volta do arco-íris revoam pardais
Tudo nesta vida é sonho, alegria ou pena
vêm-nos aos pares; possa eu por fim acordar.

Yu Xuanji (844-869)
Tradução: Ricardo Primo Portugal
燕科燕科燕科燕科科

Como Conhecer Deus

Como Conhecer Deus
Se você está se sentindo muito feliz, dizia J. Krishnamurti, não tem que falar sobre isso. A felicidade se basta e não precisa de palavras; não precisa nem de pensamentos. Mas, no momento em que você começa a dizer “sou feliz”, essa inocência se perde. Você cria uma lacuna, por menor que seja, entre si mesmo e o sentimento genuíno. Portanto, não pense que quando fala de Deus, você está perto dele.
Suas palavras criam a lacuna que você terá que atravessar para voltar a ele e você nunca a atravessará com a sua mente.
Jiddu Krishnamurti, citado por Deepak Chopra em "Como Conhecer Deus".
Autor: Deepak Chopra
Editora: Rocco
Idioma: Português.

20 de novembro de 2016

A Segunda Vinda de Cristo

A Segunda Vinda de Cristo
“A Segunda Vinda de Cristo” é o primeiro volume de uma série de três, já lançados em inglês, e ansiosamente aguardado em português. Nesta obra, Yogananda explica os evangelhos de Jesus sob o ponto de vista da Yoga, procurando apresentar a simbologia mística que existe por trás de toda a vida desse grande Mestre da Humanidade. As conhecidas parábolas cristãs tornam-se facilmente compreendidas nas sábias palavras de Yogananda que esteve, inclusive, visitando a terra santa – onde pode comprovar, de perto, a veracidade presente na história de Jesus. O prefácio, escrito por Sri Daya Mata – discípula direta de Paramahansa Yogananda – já dá uma ideia do valioso conteúdo deste livro:
“É minha esperança e minha oração que, neste novo milênio, a publicação há muito esperada de meu guru, ‘A Segunda Vinda de Cristo’, acenda a chama do amor divino no coração de todos os que leram estas páginas. A mensagem deste livro ilumina o caminho universal que recebe e abraça pessoas de todas as raças, nacionalidades e religiões. Que a extraordinária verdade e inspiração apresentadas nestes volumes ajudem a conduzir o mundo a uma era iluminada de paz, união, fraternidade mundial e comunhão com nosso único Pai-Mãe-Amigo-Amado Deus.”
Autor: Paramahansa Yogananda
Editora: Self-Realization Fellowship
Idioma: Português.

Que vale mais?

Jean-Marc Nattier
“Que vale mais?
Fazer exame de consciência
sentado na taverna,
ou prosternado na mesquita?
Não me interessa saber
se tenho um Senhor
e o destino que me reserva?”.

- Omar Khayyám – (1048-1131)

19 de novembro de 2016

Cítara

Franz Von Defregger
Firo-te as cordas, cítara dormente,
Velha cítara poenta, abandonada,
Que um régio artista fez vibrar, pulsada
Pela divina mão, antigamente.

E assim, por um instante despertada,
Na mesma vibração profunda e ardente
De outrora freme, cítara dolente,
Toda a tua alma, trêmula, acordada.

Nessa maviosa música embebido,
Escuto as notas, múrmuras, chegando
Como um coro celeste, ao meu ouvido.

E eu julgo, então, sentir, no derradeiro,
No último som que morre, a alma, chorando,
Desse que as cordas te tangeu primeiro.

Alceu Wamosy (1895-1923)