29 de fevereiro de 2016

A Principal Fonte da Nossa Ignorância

Georges de La Tour
Quanto mais aprendemos sobre o mundo, quanto mais profundo o nosso conhecimento, mais específico, consistente e articulado será o nosso conhecimento do que ignoramos - o conhecimento da nossa ignorância. Essa, com efeito, é a principal fonte da nossa ignorância: o fato de que o nosso conhecimento só pode ser finito, mas a nossa ignorância deve necessariamente ser infinita. (...) Vale a pena lembrar que, embora haja uma vasta diferença entre nós no que diz respeito aos fragmentos que conhecemos, somos todos iguais no infinito da nossa ignorância.
Karl Popper (1902-1994)

Como instrumentos musicais...

Pieter Claesz
Como instrumentos musicais
Abandonados no campo
As partes de teus sentimentos

Dispõem-se a conhecer uma quietude
A pura conversão de tua
Vida em arte parece destinada

A não suceder nunca
Não te importas
Sentes-te espiritual e alerta

Como deve sentir-se o ar
Ao girar no alto céu azul
Percebes que

Nunca vivenciarás como tocar algo ou alguém
Mais uma vez
E então o fazes.

Tom Clark

28 de fevereiro de 2016

O limite da Razão

Alberto da Veiga Guignard
Os búzios
já não despejam ondas
e eu me despeço.

De resto,
somente uma
suposição:

a questão passará a ser simples
quando dissermos: talvez...

Jorge Elias Neto

Locuções do Pierrot XII

Jean Antoine Watteau
Mais outro livro; ó nostalgias
Longe de todo este gentio,
Do tal dinheiro e do elogio,
Bem longe das fraseologias!

De novo um dos meus pierrots morto;
Daquele crônico orfelismo,
Coração pleno de dandismo
Lunar em um estranho corpo.

Nossos deuses se vão; sem cura,
Os dias, de mal a pior,
Já fiz o meu tempo. É melhor
Sim, entregar-se à Sinecura!

Jules Laforgue (1860-1887)
Tradução: Régis Bonvicino

27 de fevereiro de 2016

O velho, o rapaz, e o burro

George de La Tour
O mundo ralha de tudo,
Tenha ou não tenha razão,
Quero contar uma história
Em prova desta asserção.

Partia um velho campônio
Do seu monte ao povoado;
Levava um neto que tinha,
No seu burrico montado.

Encontra uns homens que dizem:
“Olha aquela que tal é!
Montado o rapaz, que é forte,
E o velho, trôpego, a pé!

— Tapemos a boca ao mundo,
O velho disse; — rapaz,
Desce do burro, que eu monto,
E vem caminhando atrás.”

Monta-se, mas dizer ouve,
“Que patetice tão rata!
O tamanhão, de barrinha,
E o pobre pequeno à pata!

— Eu me apeio, diz, prudente,
O velho de boa fé;
Vá o burro sem carrego,
E vamos ambos a pé.”

Apeiam-se, e outros lhes dizem:
“Toleirões, calcando a lama!
De que lhes serve o burrinho?
Dormem com ele na cama?

— Rapaz, diz o bom do velho,
Se de irmos a pé murmuram,
Ambos no burro montemos,
A ver se inda nos censuram.”

Montam, mas ouvem de um lado:
“Apeiem-se almas de breu,
Querem matar o burrinho?
Aposto que não é seu!

— Vamos ao chão, diz o velho,
Já não sei que hei de fazer!
O mundo está de tal sorte,
Que se não pode entender.

É mau se monto no burro,
Se o rapaz monta, mau é;
Se ambos montamos é mau,
E é mau se vamos a pé!

De tudo me têm ralhado;
Agora que mais me resta?
Peguemos no burro às costas,
Façamos inda mais esta!

Pegam no burro; o bom velho
Pelas mãos o ergue do chão,
Pega-lhe o rapaz nas pernas,
E assim caminhando vão.

“Olhem dois loucos varridos!
Ouvem com grande sussurro, —
Fazendo mundo às avessas,
Tornados burros do burro!”

O velho então para, e exclama:
“Do que observo me confundo!
Por mais que a gente se mate,
Nunca tapa a boca do mundo.

Rapaz, vamos como dantes,
Sirvam-nos estas lições:
É mais que tolo quem dá
Ao mundo satisfações.”

Jean de La Fontaine (1621-1695)
Tradução: Filinto Elísio (1734-1819)

Do que Nada se Sabe

Edouard Bisson
A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstrato xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

Jorge Luís Borges (1899-1986)
Tradução: Josely Vianna Baptista

26 de fevereiro de 2016

Nunca a alheia vontade

František Dvořák
Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria.
Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és.
Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto. Sê teu filho.

Ricardo Reis
Fernando Pessoa (1888-1935)

Esfinge

Jean Auguste Dominique Ingres
Revesti-me de mistério
Por ser frágil,
Pois bem sei que decifrar-me
É destruir-me.

No fundo, não me importa
O enigma que proponho.

Por ser mulher e pássaro
E leoa,
Tendo forjado em aço
As minhas garras,
É que se espantam
E se apavoram.

Não me exalto.
Sei que virá o dia das respostas
E profetizo-me clara e desarmada.

E por saber que a morte
É a última chave,

Adivinho-me nas vítimas que estraçalho.

Myriam Fraga (1937-2016)

25 de fevereiro de 2016

A Dor da Separação

Mary Helmreich
Pousada numa âncora, uma gaivota pia.
De súbito, sem uma palavra, a âncora desliza.
Surpreendida, a gaivota levanta voo.
Em breve, a âncora empalidece na água, afundando-se.
E o que a gaivota sente torna-se um grito bravio, triste,
Perdido no vento.

Maruyama kaoru (1899-1974)
Tradução: José Alberto Oliveira

Chuva de Flores

Utagawa Hiroshige
Chuva de flores de ameixeira
Um corvo procura em vão
o seu ninho.

A uma papoila
deixa as asas a borboleta
Como recordação.

Lua cheia:
para repousar os olhos
uma nuvem de tempos a tempos.

Flores queimadas pela geada
Os grãos caídos
semeiam a tristeza.

Depressa se vai a primavera
Choram os pássaros e há lágrimas
nos olhos dos peixes.

Matsuo Bashô (1644-1694)
Tradução: Jorge Sousa Braga

22 de fevereiro de 2016

As Portas

Anna Margit
Há o trabalho de dar à luz.
Já o conheci — às vezes
lembro até o esforço de nascer.
Para vir está ainda
o trabalho de deixar a vida. Vi como é difícil
para alguns, enquanto outros,
que estavam presentes num momento
a seguir desapareceram. Passei
a porta da carne. Agora, a espera — quanto ainda? —
para aprender a última tarefa
antes de atravessar a porta da terra.

Ruth Fainlight

Poética

Guilherme Maximini
Poesia, como sobrevives
Ao ódio das bombas?
E pulsas ainda, fria,
No refúgio das sombras?

Poesia, quem te reconhece
Perene fruto? Ácido
O sumo, impenetrável
A polpa de ferro ou aço.

Uma flor fétida
Nasce nos mangues
– Homem – perdido
Entre o pus e o sangue.

A poesia não sutura
Seu coração aberto.
Nem indica (entre cruzes)
O rumo certo.

Poesia, negra falua,
Arrasta sobre nós
Teus podres remos.
E deixa-nos sós.

Cláudio Murilo

21 de fevereiro de 2016

Muitas Vozes

Barbara C. Thomas
Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido.

(estamos todos nós
cheios de vozes
que o mais das vezes
mal cabem em nossa voz:

se dizes pera,
acende-se um clarão
um rastilho
de tardes e açúcares
ou
se azul disseres,
pode ser que se agite
o Egeu
em tuas glândulas)

A água que ouviste
num soneto de Rilke
os ínfimos
rumores no capim
o sabor
do hortelã
(essa alegria)

a boca fria
da moça
o maruim
na poça
a hemorragia
da manhã

tudo isso em ti
se deposita
e cala
Até que de repente
um susto
ou uma ventania
(que o poema dispara)
chama
esses fósseis à fala.

Meu poema
é um tumulto, um alarido:
basta apurar o ouvido.

Ferreira Gullar

Tons Neutros

Stefan Pastuhov
Quedamo-nos junto a uma lagoa naquele dia de inverno,
E o sol estava branco, como se repreendido por Deus,
E algumas folhas jaziam na relva faminta;
– Haviam caído de um freixo, e eram cinzas.
Teus olhos sobre mim eram como olhos a deambular
Por tediosos enigmas de anos atrás;
E entre nós algumas palavras saltaram de lá para cá
Sondando quem mais perdia com o nosso amor.
O sorriso em teu rosto era a coisa mais mortiça
Com vida suficiente apenas para poder perecer;
E um forçado e amargo riso o dominou assim
Como um veloz e ominoso pássaro.
Desde então, agudas lições de que o amor falseia,
E se contorce com o erro, têm-me moldado
O teu rosto, o sol tímido, uma árvore
E uma lagoa margeada por folhas grisáceas.

Thomas Hardy (1840-1928)

20 de fevereiro de 2016

Fim

Edmund Blair Leighton
Como não havia ninguém
na casa aquela
terça-feira tudo
é suposição: teria
tomado seu costumeiro
banho
de imersão por volta
de meio-dia e trinta e
de cabelos ainda
úmidos
deitou-se na cama para
descansar não
para morrer
queria
dormir um pouco
apenas isso e
assim não lhe
terá passado pela
mente - até
aquele último segundo
antes de
se apagar no
silêncio - que
jamais voltaria
ao ruidoso mundo
da vida.

Ferreira Gullar

Moças e garças

Pablo Picasso
O rio mergulhava em nossas tardes
e nos vinha inundar os olhos,
enquanto olhávamos as garças
que pousavam nas pedras baixas,
com suas asas talhadas:
chegássemos mais perto delas,
voejavam no lençol corrente,
e só as águas sobravam.

O rio se afogava em nossas noites
e nos vinha inundar os sonhos,
enquanto olhávamos as moças
que escoavam nas pedras baixas,
com suas curvas molhadas:
chegássemos mais perto delas,
diluíam-se na água corrente
e só os desejos sobravam.

Aleilton Fonseca

19 de fevereiro de 2016

Ars Poetica

Eustache Le Sueur - Alegoria da Poesia
Uma elipse
é um serial de círculos
concêntricos
com ou sem
projeção de tamanho
onde Yeats viu
ordem e degradação

a dupla hélice
o eterno variável retorno
e Pessoa disse
ser o objeto mais difícil
de pôr em palavras
(sendo que conhecia muito bem
elipses e palavras)

Uma elipse é o modo
em que vejo os mais belos
poemas aparecerem
num quase transbordar
e uma contenção
que foge à primeira vista.

Sergio Cohn

Satélite

Ray Hendershot
Fim de tarde.
No céu plúmbeo
˚
A lua baça˚
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e enamorados,
Mas tão somente
Satélite.

Ah! Lua deste fim de tarde,
Desmissionária de atribuições românticas;
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
gosto de ti, assim:
Coisa em si,
– Satélite.

Manuel Bandeira (1886-1968)

˚ ˚ No contexto do poema as palavras plúmbeo e baça devem ser entendidas,
respectivamente, como: cinzento e fosca.

18 de fevereiro de 2016

Ideário para a Criação

Taha H. Malasi - A Criação de um Poeta
Quando, em ti próprio, ouvires algum combate
do sonho em luta com a sua própria alma
e o mundo te parecer maior que a vida
e a vida te parecer a velha estrada
onde só tu não perseguiste o sonho,
defende, de ambos, o que for vencido

Quando à tua beira, houver um perseguido
e o escárnio se abater sobre o que ele pensa
e o mundo inteiro o perseguir mentindo
uma mentira maior que a dessa ideia,
defende-a como tua antes que o mundo
esmague em si próprio a chama em que se ateia.

Quando, como hoje, os crimes forem tantos
que as praias sequem no desdém das ondas,
e o melhor homem for um criminoso
voltando ansioso ao local do crime,
e o sangue nem lhe suje a ansiedade
porque não há mais sangue que ciências loucas,
grita aos ventos da morte que os traíram –
e na terra se ouça que a verdade é falsa
e só eram verdade os que partiram.

Jorge de Sena (1919-1978)

Peônia

Lillian Snelling
Deixaste-me no ano passado, no fim da primavera
Minhas lágrimas molham o papel vermelho só de pensar nessa lembrança
Muitas vezes eu temi que estivéssemos separados para sempre
Porque nos revemos hoje, com uma alegria inesperada?
Tu me cercas de teus carinhos e do teu perfume que embriaga
Não precisamos de palavras, pois nos compreendemos ao menor sinal
Vamos colocar nossas almofadas perto da balaustrada
Cochicharemos nosso amor até altas horas.

Xue Tao (768-834)
O poema foi traduzido do chinês para o francês por Shi Bo, e dai para o português por Sérgio Caparelli.

17 de fevereiro de 2016

Primeiro discurso: Sobre a utilidade do amor

Steven Pearson
Quando digo “amor”, deve-se compreender “desejo de beleza”. Com efeito, essa é a definição do amor para todos os filósofos. A beleza é uma graça que na maioria das vezes nasce antes de haver qualquer equilíbrio harmonioso entre vários elementos.
Existem três espécies de beleza. Há beleza quando várias virtudes se equilibram nas almas; nos corpos, ela nasce da harmonia de diferentes cores e múltiplas linhas; nos sons, do acorde de várias vozes juntas.
A beleza das almas é conhecida pela inteligência, a do corpo é percebida pelos olhos, e a das vozes, pelos ouvidos.
Como a inteligência, a visão e a audição são os únicos meios que nos permitem fruir a beleza, e como o amor é o desejo de fruir a beleza, ele sempre se satisfaz por meio da inteligência, da visão e da audição.
De que servem o olfato, o paladar e o tato? Esses sentidos só percebem sabores, odores, calor, frio, maciez, dureza e outras sensações dessa ordem. Nenhuma delas constitui beleza humana, pois são formas simples, ao passo que a beleza do corpo humano requer a simetria de membros diferentes. (...) Por consequência, o amor se limita a esses três poderes. Quanto ao desejo que se origina dos outros sentidos, a palavra que lhe convém não é “amor”, mas “libido”, ou “raiva”.
Platão (428-348 a.C.)
"O Banquete"

Livros

Edwin Harris
Todos os livros do mundo
felicidade alguma hão de trazer-te,
pois te remetem misteriosamente
em retorno a ti mesmo.

Aqui tens tudo de que necessitas:
sol, estrelas e lua
– pois a luz que querias
em ti mesmo reside.

Sabedoria, que tanto buscavas
em bibliotecas,
em cada uma destas folhas brilha agora:
e é tua, toda.

Hermann Hesse (1877-1962)
Tradução: Geir Campos

16 de fevereiro de 2016

Coco de Pagu

Foto de Pagu
Pagu tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer.
Bate-côco quando passa.
Coração pega a bater.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Passa e me puxa com os olhos
provocantissimamente.
Mexe-mexe bamboleia
pra mexer com toda a gente.

Eli Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Toda a gente fica olhando
o seu corpinho de vai-e-vem
umbilical e molengo
de não-sei-o-que-é-que-tem.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Quero porque te quero
Nas formas do bem-querer.
Querzinho de ficar junto
que é bom de fazer doer.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Raul Bopp (1898-1984)

Soneto

Claude Monet
Meus dias de rapaz, de adolescente,
Abrem a boca a bocejar, sombrios:
Deslizam vagarosos, como os Rios,
Sucedem-se uns aos outros, igualmente.

Nunca desperto de manhã, contente.
Pálido sempre com os lábios frios,
Ora, desfiando os meus rosários pios...
Fora melhor dormir, eternamente!

Mas não ter eu aspirações vivazes,
E não ter como têm os mais rapazes,
Olhos boiados em sol, lábio vermelho!

Quero viver, eu sinto-o, mas não posso:
E não sei, sendo assim enquanto moço,
O que serei, então, depois de velho.

António Nobre (1867-1900)

15 de fevereiro de 2016

Rondel do Alentejo

Édouard Manet
Em minarete
mate
bate
leve
verde neve
minuete
de luar.

Meia-noite
do Segredo
no penedo
duma noite
de luar.

Olhos caros
de Morgada
enfeitada
com preparos
de luar.

Rompem fogo
pandeiretas
morenitas,
bailam tetas,
e bonitas,
bailam chitas
e jaquetas,
são as fitas
desafogo
de luar.

Voa o xaile
andorinha
pelo baile,
e a vida
doentinha
e a ermida
ao luar.

Laçarote
escarlate
de cocote
alegria
de Maria
la-ri-rate
em folia
de luar.

Giram pés
giram passos
girassóis
e os bonés,
e os braços
destes dois
giram laços
ao luar.

O colete
desta Virgem
endoidece
como o S
do foguete
em vertigem
de luar.

Em minarete
mate
bate
leve
verde neve
minuete
de luar.
José de Almada Negreiros (1893-1970)

14 de fevereiro de 2016

O Tempo

Carlos Casamayor
Sentou-se, e já partia olhando a bruma.
Havia copos brilhando na manhã.
Errava um cheiro de incenso.
Quem era, o coração apaziguado?

Levantou-se, e toda luz
arrastou-se aos seus pés. Inerme,
luz vencida, hora transposta,
além do jardim, além.

Havia bruma.

Nem ficou nem partiu. Olhando
continuou a desmantelar-se.
Não era real; viveu o segundo
e floresceu alto como uma rosa.
Desfez-se virgem.

Lúcio Cardoso (1912-1968)