4 de dezembro de 2016

Vênus do Louvre

Vênus de Milo (Louvre - Paris)
No fundo do salão imenso,
qual estrela, ela cintila,
a mãe do amor, nascida da espuma e transmutada
em pedra.

Imortal, ainda respira.
Sem poder desfigurá-la,
mutilou-a
a mão brutal do tempo.

Quando a vi pela primeira vez,
de longe, a feiticeira deslumbrou-me a vista
E eu não a vi sozinha, serenamente pousada
no trono do seu culto universal,
guiando, como outrora,
o seu carro tirado pelas pombas.

Vi aos seus pés um pálido judeu,
adorador fiel, de toda a vida,
ferido de morte,
soluçando adeus ao amor!

Aqui chorou Heine! Aqui
continuará chorando eternamente.
Ficará neste lugar a sombra dele,
enquanto houver um coração ardente e um
cérebro de poeta
que chore Helena desaparecida
e a mágoa de Israel.

Emma Lazarus (1849-1887)
Tradução: Carlos Ortiz

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