19 de dezembro de 2016

Testamento

Peter Paul Rubens
Ser algum pode em nada desfazer-se!
Em todos eles se agita sempre o Eterno.
Confia, alegre e feliz, sempre no Ser!
Que o Ser é eterno: – existem leis
Para conservar vivos os tesouros
Dos quais o Universo se adornou.

O verdadeiro foi há muito achado,
Uniu em aliança nobres espíritos,
O velho verdadeiro – a ele te agarra!
Por ele sê grato, filho da Terra, ao Sábio
Que em torno ao Sol o caminho mostrou
A ela e aos outros seus irmãos.

A seguir volta os olhos para dentro,
É lá que o centro encontrarás
De que nobre algum poderá duvidar.
Nenhuma regra ali te falhará:
Pois a consciência independente
É o sol do teu dia moral.
Nos sentidos tens depois de confiar;
Nada de falso eles te fazem ver
Se a tua razão te conservar desperto.
Com vivo olhar observa alegremente,
E percorre, a passo firme e dúctil,
Os espaços de um mundo repleto de riquezas.

Moderado goza abundância e bênçãos;
Seja a Razão presente em toda a parte
Onde a Vida se alegra de ser Vida.
Então é o passado duradouro,
O futuro antecipadamente vivo,
E o momento presente é Eternidade.

E se enfim assim o conseguires
E estiveres repassado do sentir: –
Só o que é fecundo é que é verdade –
Vês e pesas então o agir da turba,
Terá ela de andar à sua moda,
Tu, vai juntar-te ao mais pequeno número.

E como desde sempre, em seu secreto,
O Filósofo criou e o Poeta
Obra de amor que eles elegeram,
Assim alcanças tu o bem supremo:
Pois pré-sentir às almas nobres
É o mais desejável dos ofícios.

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Tradução: Paulo Quintela

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