3 de dezembro de 2016

O Homem

Heinrich Friedrich Füger
Um animal mais santo que esses e mais capaz de
um espírito profundo,
e que pudesse dominar os outros, faltava até então.
Nasceu o homem. Ou o fez com a semente divina
aquele obreiro das coisas, origem de um mundo melhor,
ou a terra, nova e recentemente desviada do alto
éter, retinha sementes do irmão, o céu.
Essa terra, misturada com águas das chuvas, o filho
de Jápeto (*)
modelou à imagem dos Deuses que tudo mantêm
nas medidas.
Enquanto os outros animais, inclinados, olham a terra,
deu ao homem um rosto que se volta para o alto
e ordenou-lhe
ver o céu; e a face erguida, elevá-la aos astros.
Assim, a terra que, havia pouco, fora tosca e informe,
alterada, assumiu desconhecidas figuras humanas

Públio Ovídio Naso (43 a.C.-17)
Tradução: Maria da Gloria Nova

(*) Jápeto → Filho incestuoso de Urano, o céu estrelado, e Gaia, a Terra; o rebento de Jápeto a que o poeta se refere é Prometeu, criador dos homens e doador do fogo à humanidade.

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