7 de dezembro de 2016

Nova Poética

Manuel Bandeira - Caricatura de Paulo Cavalcante
Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco
muito bem engomada, e na primeira esquina
passa um caminhão, salpica-lhe o paletó
ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.

Sei que a poesia é também orvalho,
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas,
as virgens cem por cento e as amadas
que envelheceram sem maldade.

Manuel Bandeira (1886-1968)

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