13 de dezembro de 2016

Ai, bela liberdade...

Colette Calascione
Ai, bela liberdade, que partindo
de mim, bem claro me mostraste qual
fiquei depois que o dardo tão fatal
fez esta chaga sempre me ferindo!

Os olhos vagam tanta dor carpindo
que o freio da razão de nada vale,
pois se enojam de tudo o que é mortal:
assim os costumei, por desavindo!

Só sou capaz de ouvir quem arrazoa
de quem me mata; e lanço um refrão
seu nome no ar, que docemente soa.

Amor para outra me esporeia em vão,
nem sabem as mãos como, em juízo são,
louvar se possa em letra outra pessoa.

Francesco Petrarca (1304-1374)
Tradução: José Clemente Pozenato

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