13 de dezembro de 2016

A tumba de Edgar Poe

Hamlet Alfred Stevens
Tal que a Si-mesmo enfim a Eternidade o guia,
O Poeta suscita com o gládio erguido
Seu século espantado por não ter sabido
Que nessa estranha voz a morte se insurgia!

Vil sobressalto de hidra ante o anjo urgia
Um sentido mais puro às palavras da tribo,
Proclamaram bem alto o sortilégio atribu-
Ído à onda sem honra de uma negra orgia.

Do solo e céus hostis, ó dor! Se o que descrevo –
A ideia só – não esculpir baixo-relevo
Que ao túmulo de Poe luminescente indique,
Ao voos da Blasfêmia esparsos no futuro.

Stéphane Mallarmé (1842-1898)
Tradução: Augusto de Campos

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