15 de dezembro de 2016

A Noite

Charlie Bowater
Conhece todas as conversas,
Que vida contará como sendo sua,
Onde terá que rir, onde calar-se.
Não lhe serve, por mais que o pretenda,

Como sonho nenhum rosto belo
Ou jovem. Passou por muitas portas
(entrou em tantos quartos tantos dias)
Para agora o comover alguma.

Sabe que um corpo não é já o paraíso
Mansidão do tempo, puro dom.
Mas de pouco vale a experiência,

De nada a meditação, presságio
Ou incerteza, quando com a noite
O toma a ânsia de animal ferido.

José Ángel Cilleruelo
Tradução: Joaquim Manuel Magalhães

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