14 de dezembro de 2016

A flor e o ar

Charles Edward Wilson
A flor que atiraste agora,
quisera trazê-la ao peito:
mas não há tempo nem jeito...
Adeus, que me vou embora.

Sou dançarina do arame,
não tenho mão para flor.
Pergunto ao pensar no amor,
como é possível que se ame.

Arame e seda, percorro
o fio do tempo liso.
E nem sei do que preciso,
de tão depressa que morro.

Neste destino a que vim,
tudo é longe, tudo é alheio.
Pulsa o coração no meio
só para marcar o fim.
Cecília Meireles (1901-1964)

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