13 de novembro de 2016

Tristeza

Théo van Rysselberghe
Ai! Quanta vez _ pendida a fronte fria
_ Coberta cedo do cismar pelos rastros
Deixo minha alma, na asa da poesia,
Erguer-se ardente em divinal magia
À luminosa solidão dos astros!...

Infeliz mártir de fatais amores
Se ergue _ sublime _ em colossal anseio,
Do alto infinito aos siderais fulgores
E vai chorar de terra atroz as dores
Lá das estrelas no rosado seio!

É nessa hora, companheiro, bela,
Que ela a tremer _ no seio da sociedade
_ Fugindo à noite que a meu seio gela
Bebe uma estrofe ardente em cada estrela,
Soluça em cada estrela uma saudade...

É nessa hora, a deslizar, cansado,
Preso nas sombras de um presente escuro
E sem sequer um riso em lábio amado
Que eu choro _ triste _ os risos do passado,
Que eu adivinho os prantos do futuro!...

Euclides da Cunha (1866-1909)

Nenhum comentário: