26 de novembro de 2016

Para um quase amigo

Johannes Vermeer
Para trás!

Sou pedra.
Você tem de rasgar sua carne para escavar meu peito.

Sou tempestade.
Ninguém relaxa comigo.

Sou montanha.
Moureje até o topo, e vire um solitário.

Sou gelo.
Você tem que congelar para que eu derreta.

Sou mar.
Não vou devolver você.

Se isto o assusta,
Para trás! Para trás!

Ainda que, se você for meu amigo,
Não lhe serei nada disso.

Laura Riding (1901-1991)
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

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