14 de novembro de 2016

As Meninas - pintura de Renoir

Pierre Auguste Renoir
A pintura Rosa e Azul (As Meninas Cahen d´Anvers), é considerada um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo, onde se encontra desde 1952. Renoir retratou as duas filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d’Anvers, a loira Elisabeth, nascida em dezembro de 1874, e a mais nova, Alice, em fevereiro de 1876, quando tinham respectivamente seis e cinco anos de idade. Alice recordou muitas décadas depois (quando então possuía o título de Lady, por ter casado com o general Townsend of Kut), que o tédio das sessões era compensado pelo prazer de vestir o elegante vestido de renda.
O título mais popular dessa obra (Rosa e Azul), que se refere às cores dos vestidos das meninas, desde 1900, quando esteve exposta na galeria Bernheim-Jeune, em Paris. O artista transmitiu com as cores e a delicadeza de tonalidades, todo o frescor e a candura da infância. As meninas quase se materializam diante do observador, a de azul com seu ar vaidoso, e a de rosa com um certo enfado, quase beirando as lágrimas. As duas meninas, impecavelmente penteadas e vestidas, seguram a mão uma da outra para maior segurança. Usando vestidos de festa idênticos, com fitas, faixas e meias combinando e os cabelos escovados em franjas perfeitas, Alice, com cinco anos de idade, à esquerda, olha para o espectador como se estivesse para se desmanchar em lágrimas, enquanto a irmã maior, Elisabeth, de seis anos, parece um pouco mais confortável enquanto posa. A obra, produzida por encomenda de Louis-Raphael Cahen d'Anvers, pertenceu à coleção particular de sua família, em Paris. Foi redescoberta, aparentemente abandonada, em um apartamento na capital francesa, no ano de 1900, pelos marchands Bernheim-Jeune, passando a compor o acervo da Galeria Bernheim-Jeune et Fils, também em Paris. Em seguida, a obra foi sucessivamente vendida, até ser adquirida em 7 de julho de 1952, pelo Museu de Arte de São Paulo, com recursos doados pelo fundador do museu, Assis Chateaubriand. O retrato das meninas Cahen d’Anvers, além de possuir uma ampla bibliografia e um vasto histórico de exibições, angariou também a simpatia dos visitantes do MASP, tornando-se uma das mais populares e apreciadas obras do museu e uma fonte de inspiração para outros pintores e para o público.
O rico banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers, encomendou três retratos a Pierre Auguste Renoir (Limoges, 25 de Fevereiro de 1841 – Cagnes-sur-Mer, 3 de Dezembro de 1919) em 1880, um de cada uma de suas filhas. Renoir não negociou um preço antes de iniciar o seu trabalho. Ao completar o retrato de Irène (então com 8 anos), os Cahens decidiram que não gostaram, e disseram a Renoir para pintar as duas irmãs mais novas de Irene (Alice e Elisabeth) juntas. Louis Cahen pagou a Renoir meros 1.500 francos pelas duas pinturas (muito menos do que realmente valiam, mesmo naquele tempo), e para adicionar insulto à injúria, pendurou-as nos aposentos de seus servos. Renoir ficou furioso.
Aos 19 anos, Irène se casou com Moïse de Camondo, o último de uma longa linhagem de banqueiros judeus do Império Otomano. Durante seu casamento, seu retrato de Renoir foi pendurado em um dos hotéis dos Camondo. Irène e Moïse tiveram dois filhos, Nissim e Béatrice durante o seu curto casamento de cinco anos, antes de Irène se converter ao catolicismo e fugir com o cavalariço dos Camondo, o conde Charles Sampieri em 1896. Irène conseguiu obter um divórcio, dando a Moïse a custódia total de seus filhos, e Irène se casou com Charles, tornando-se a condessa Irène Sampieri. O retrato voltou para a mãe de Irène, Louise, durante o divórcio, e ela, por sua vez o presenteou para a sua neta Béatrice, entre 1910 e 1933.
O filho de Irène se tornou um aviador do exército francês durante a Primeira Guerra Mundial. Ele faleceu em batalha, em 1917. A filha de Irène, Béatrice se casou e teve dois filhos. Moïse morreu em 1935 e a sua fortuna ficou em grande parte para sua filha. Sua mansão e coleção de arte foram doadas para uma fundação, para criar um museu em honra de seu filho, o Musée Nissim de Comondo.
Em 1939, os nazistas invadiram a França. Como muitos outros, Béatrice e seu esposo optaram por ficar em Paris, acreditando que sua riqueza e status iriam protegê-los. Eles estavam errados, e em 1941 eles e seus filhos (juntamente com a irmã de Irène, Elisabeth) foram enviados para Auschwitz, onde foram todos mortos. Irène, agora separada de Charles, conseguiu se salvar, escondendo-se atrás de seu sobrenome italiano e de sua religião. Sua outra irmã, Alice, também sobreviveu ao holocausto e viveu até os 89 anos, falecendo em 1969, em Nice.
O retrato, agora muito valioso, foi roubado da casa Reinach em 1941 pela Reichsleiter Rosenberg Taskforce e tornou-se propriedade de Herman Göring. Em 1945, os Aliados libertaram o retrato, e ele foi enviado para um ponto de coleta em Munique. No final de 1946, o retrato começou a viajar com outras pinturas liberadas, em uma exposição intitulada "Obras-primas de coleções francesas encontradas na Alemanha e na Suíça", onde foi visto por Irène. Ela conseguiu obter a posse da obra, pois a última posse legal era de sua filha, de quem Irène era a herdeira. Em 1949, Irène a vendeu para Emil Georg Bührle, que estava começando a colecionar obras de impressionistas franceses. Ao longo dos próximos anos, Irène gastou o dinheiro obtido com a venda desse retrato e toda a fortuna Camondo em cassinos no sul da França, até a sua morte em 1963. Após a morte de Emil Georg Bührle, em 1956, o retrato foi finalmente doado à Fundação E.G. Bührle em Zurique onde está em exposição.

Fonte:
( Estórias da História )

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei! Que blog maravilhoso! E o melhor de tudo: é atualizado! Passarei a acompanhá-lo.