15 de outubro de 2016

Tecedeira

Diego Velazquez
Para quem teço ternuras
neste fio interminável,
alvo, branco,
imponderável?
Num desenho delicado,
minhas mãos fiam venturas.
Sou tecedeira de um sonho,
puro, claro, inacabado.
Fia, fia, a tecedeira.
Chega o outono e a primavera.
Dos frutos caem sementes,
das sementes brotam flores.
E o fio interminável,
tece o sonho de uma espera.
Fia, fia, a tecedeira.
Trança seu fio alvo e branco,
desenha e trança venturas.
Fia, fia, a tecedeira,
sem saber para quem tece,
com o fio interminável,
uma teia de ternuras.

Lila Ripoll (1905-1967)

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