11 de outubro de 2016

Tão calmo o ramo da laranjeira

Anka Zhuravleva
Tão calmo o ramo da laranjeira
Observa o céu anoitecer
Sem uma reza, sem carpideira,
Sem desespero a aparecer.

Quando chegar a escuridão aparecer.
O cume da vida terá aparecer.
Ido para sempre, e então aparecer.
A nova história começará

Um conto não mais tão dourado
Brumas e pó, em troca, em jogo,
E no final, caule quebrado
Em queda para o chão; e logo

Um intercurso mal indicado
Pra seres dum tipo dourado
Cuja folhagem além se espraia
Do amor corrupto, vulgar de Gaia.

E ainda o fruto, laranja inteira,
Observa o céu anoitecer
Sem uma reza, sem carpideira,
Sem desespero a aparecer.

Ó Coragem, não quer achar
Um outro pouso pra vir morar,
Não só lá no ramo dourado
Mas no meu peito assustado?

Tennessee Williams (1911-1983)
Tradução: José Ignacio Coelho Mendes Neto

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