12 de outubro de 2016

Soneto

Johannes Vermeer
Decidi revelar-vos em soneto
O meu segredo, Inês, bela inimiga;
Mas, por mais ordem que ao fazê-lo eu siga,
Não pode já caber neste quarteto.
Chegados ao segundo, vos prometo
Que não se há de eu passar sem que eu o diga;
Mas estou feito, Inês, uma formiga
Que tonta gasta os versos do soneto.
Vede, ó minha Inês, quão duro é o fado,
Se tendo eu o soneto em minha boca
E a ordem de dizê-lo já estudado,
Lhe conto os versos todos, e hei notado
Que, pela conta que a um soneto toca,
Já este meu, Inês, vai acabado.

Baltazar del Alcázar (1530-1606)
Tradução: Jorge de Sena

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