4 de outubro de 2016

Ser Estrangeiro

Paul Hedley
Ser estrangeiro é minha sina e vida, em meio
A estrangeiros. Meu pai e minha mãe amados,
Irmãos e irmãs em Cristo de mim apartados,
Só Ele meu partir/meu porto, espada e esteio.

A Inglaterra que eu honro como esposa, cheio
De sonhos de criar, não movem nem cuidados
Nem rogos, nem rogar eu ouso, desolado
sócio de um lar que gera guerras em seu seio.

Agora estou na Irlanda e é já a terceira ida
Ao longo exílio. Não que o exílio iniba o gesto
De amor, amar. Mas a palavra mais querida

Que eu crie o céu cinzento ceifa presto
E o inferno enfeia em fel, do povo não ouvida
Ou, se ouvida, olvidada. E eu solitário resto.

Gerard Manley Hopkins (1844-1889)
Tradução: Augusto de Campos

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