7 de outubro de 2016

Poético

Alphonse Mucha
Descuidado andava no bosque do vale
No tempo dos jacintos,
Até que a beleza como um pano perfumado
Que me cobrisse me estrangulou. Fui amarrado,
imóvel e sem poder respirar,
Pelo encanto que era o eunuco dela.
E agora eis que entro no rio final
Ignominiosamente, num saco, sem ruído,
Como qualquer turco no Bósforo que espreitasse o harém.

T. E. Hulme (1883-1917)
Tradução: Jorge de Sena

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