19 de outubro de 2016

Paz do entardecer

Alfred Sisley
Já lacerada pela labareda
Exausta descansa a seca vereda

E a escura e sulfurina nuvem cai
Uma muralha esconde e o mastro esvai.

Os jardins arquejam com o perfume
A sombra invade os caminhos sem lume.

As ternas vozes suspiram e calam
As altas em zumbido se resvalam.

Se visões atraem a rica festa
A selvagem luta atrai luz funesta.

Na névoa densa só são escutados
Os débeis sons de mundos dominados.

Stefan George (1868 – 1933)
Tradução: Eduardo de Campos Valadares

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