21 de outubro de 2016

Ode

Jean Baptiste-Simeon Chardin
Aonde me arrebato?
A humana vista não se atreve a tanto,
Arqueja o coração como oprimido
Com a vasta alegria.
Já se amiúda o palpitar das veias.
São menores as forças que as ideias.

Ouço quebrar nos ares
Os roucos ecos do metal fundido:
Já o purpúreo Véu caiu por terra.
E a respeitosa Almada,
Que viu brilhar primeiro o Régio Vulto,
Como o Ganges, que adora o Sol que nasce,
Sobre as águas do Tejo inclina a face.

António Caetano de Almeida Vilas Boas (1745-1805)

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